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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

LUAS DE SANGUE E PROFECIAS DO FIM DOS TEMPOS: UM LINK QUEBRADO


Para entender um pouco melhor sobre o teor dessa postagem, acesse: A PROFECIA DE JOEL E AS LUAS DE SANGUE (https://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2015/09/a-profecia-de-joel-e-as-luas-de-sangue.html).

A relação entre as luas de sangue com as profecias bíblicas relativas ao fim dos tempos tem sido propagadas como verdadeiras em muitos círculos evangélicos. Não faltam aqueles que comentam, assustados, sobre essa dita ligação profética entre o fenômeno astronômico com as profecias bíblicas. Outros parecem fascinados com o assunto, como se tivessem "descoberto a pólvora". Por detrás dessas reações, está o patente desconhecimento da Bíblia Sagrada, tida como um "livro estranho e enigmático" para aqueles que se dizem "povo do livro". Por não lerem, não estudarem e não se interessarem em aprender a Bíblia, acabam dando ouvidos "a todo vento de doutrina" que surge. São ainda "meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro" (Ef 4.14).

A profecia da lua do sangue surgiu a partir dos ensinos apocalípticos promovidos pelos pastores norte-americanos John Hagee e Mark Biltz, que afirmam que um tétrade (uma série de quatro eclipses lunares consecutivos - coincidindo em feriados judeus - com seis luas inteiras no meio e sem intervenção parcial eclipses lunares) que começou com o eclipse lunar de abril de 2014 é um sinal do início dos tempos do fim, conforme descrito na Bíblia no Livro de Joel, Atos 2:20 e Apocalipse 6:12. (ref.: https://www.christiantoday.com/article/four-blood-moons-pastor-john-hagee-getv-broadcast-april-15-time-lunar-tetrad-video/36747.htm) Seus insights logo se tornaram a "a revelação da hora" entre as últimas previsões sensacionalistas de profecias para aqueles que parecem gostar de procurar o "segredo escondido" da data da Segunda Vinda de Jesus. Então, com a ajuda da Internet e daqueles que amam compartilhar as "últimas modas e tendências cristãs", os ensinamentos da lua de sangue trouxeram uma nova excitante àqueles que procuram modismos!

Baseados em suas teorias, Mark Biltz previu a segunda vinda de Jesus no ano de 2008 (www.alankurschner.com/2013/08/12/answering-mark-biltzs-blood-moon-2014-2015-date-setting-schema/). De acordo com ele, os sete anos de grande tribulação começariam no outono de 2008. O período da tribulação estenderia até a queda do ano de 2015, quando Jesus viria. Biltz esboçou que ele havia recebido uma revelação de que a próxima tétrade marcaria o fim dos tempos. No entanto, a previsão não se tornou realidade. Isso, contudo, não impediu Biltz de falar sobre a profecia.

É importante destacar que o ministério do pastor Mark Biltz, o "El Shaddai ministries" (http://www.elshaddaiministries.us/), não possuía muita popularidade (ou credibilidade) até a "relevação sobre as luas de sangue".   Uma das razões pelas quais Mark Biltz não era muito popular entre os círculos cristãos  deve-se ao fato de ser uma parte do herético "Movimento das Raízes Hebraicas", que tenta fazer com que os cristãos se convertam de volta ao judaísmo e à estrita adesão à Lei do Antigo Testamento. Este movimento ensina que é errado converter os judeus ao cristianismo, rejeita abertamente os escritos do apóstolo Paulo e ensina que Paulo era um falso apóstolo devido ao seu ensino contra a lei do Antigo Testamento e os costumes judaicos. São os judaizantes modernos, que tanto perturbaram a Igreja Cristã no primeiro século. (vale a pena ler: http://christinprophecy.org/articles/the-blood-moon-mania/)

Mark Biltz também ensina uma forma muito estranha de interpretar e entender a Escritura através de um sistema de crença mística conhecido como "Cabala". Essa forma de misticismo judaico procura constantemente encontrar "verdades escondidas" não reveladas ao leitor da Escritura. O ensino da lua de sangue é um exemplo perfeito de "verdades ocultas". Tragicamente, essa forma de interpretação e ensino leva a todos os tipos de atitudes de orgulho e crenças heréticas, que rejeitam "a simplicidade de Cristo" (II Co 11.3) e a cruz enquanto mergulha em um mar de "revelações extra-bíblicas ". É muito importante lembrar que o ensino sobre os tétrades de luas de sangue NÃO É INDICADO NENHUMA PARTE na Bíblia. Este é um exemplo de "revelação extrabíblica" e precisa ser visto e tratado com todo cuidado, por seu potencial herético. Vale mencionar que segundo os cabalistas, um eclipse lunar sempre prenuncia acontecimentos importantes ligados a dificuldades para o povo de Israel.

Por sua vez, John Hagee, pastor da Cornerstone Church in San Antonio, expôs a previsão da lua de sangue de Biltz num livro de sua autoria, intitulado "Four Blood Moons: Something is About to Change". O livro recebeu imensa popularidade e tornou-se um dos mais vendidos em 2014. Em 30 de março de 2014, a Publishers Weekly classificou o livro como o nono melhor livro de bolso. Em meados de abril de 2014, o New York Times classificou o livro como o best-seller na categoria de aconselhamento. Em seu livro, Hagee introduz sua "revelação" com a seguinte frase: "Have you ever considered the sun, moon and stars in the study of prophecy?" Ele afirma pretender correlacionar as profecias com a astronomia, citando em seguida a profecia bíblica de Joel e a partir da expressão "lua em sangue" contida no versículo 31 ele cunha a expressão "lua de sangue".  A partir de então, ele cita uma série de eventos buscando corroborar sua tese. Hagee em seu livro cita que as luas de sangue sempre são acompanhadas por eventos mundiais cataclísmicos. Quem conhece um pouco sobre interpretação bíblica, sabe que Hagee cometeu um erro crasso: Ele não interpreta as Escrituras à luz das Escrituras, mas sim à luz dos eventos atuais.

Defensores das profecias das luas de sangue afirmam que as tétrades apareceram durante importantes acontecimentos na história de Israel: a expulsão dos judeus da Espanha em 1492, a independência de Israel em 1948, e em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias. Todavia, a primeira lua de sangue ocorreu em abril de 1949, depois que Israel já havia obtido sua independência, em maio de 1948. Semelhantemente, uma tétrade apareceu em 1493, um ano depois que o povo judeu foi expulso da Espanha. Se as luas de sangue fossem sinais, elas deveriam ter acontecido antes desses eventos. Novamente - e isso é muito importante -  se as luas de sangue servissem como um "sinal profético", elas deveriam, no mínimo, PRECEDER o evento para dar uma advertência futura sobre o que estava para acontecer com Israel. Mas eles não aparecem até o evento acontecer.  Note o que Jesus ensinou: "Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados." (Mt 24.29) Ou seja, claramente Jesus está dizendo que vários eventos celeste acontecerão "após a tribulação daqueles dias", não "antes da tribulação"

Concluindo, devemos reafirmar aquilo que a Bíblia afirma: "Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai." (Mt 24.36) NINGUÉM, nenhum homem, profeta, pastor, apóstolo, rabino, anjo, etc. soube, sabe ou jamais saberá qual será o dia da vinda de Jesus. Quem se atreve a marcar datas de eventos bíblicos proféticos irá inevitavelmente errar. Somente o Pai, o Espírito Santo e Jesus (após sua ressurreição e ascenção aos céus) sabe o dia em que virão a se cumprir os eventos determinados por Deus e Ele não vai revelar isso a ninguém, nunca. Ele mesmo disse que Sua vinda seria repentina, quando ninguém está esperando, como o "ladrão na noite""Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá." (Mt 24.44)

Podemos, querido(a) leitor(a), estar preparados: mais e mais "invencionices" como essa surgirão. Mais e mais "profetas", com suas "revelações bombásticas", vão aparecer e enganar a muitos. Junto com eles, virão muitos falsos cristos com falsos evangelhos. Todos eles operarão dúzias de sinais, prodígios e maravilhas, até que venham os últimos falso profeta e o próprio anticristo em pessoa! Isso chama-se "operação do erro", para que aqueles que rejeitam a verdade de Deus para salvação sejam enganados, dando crédito à mentira: "Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça." (II Ts 2.9-12)   

Pense nisso! Deus está te dando visão de águia!

domingo, 11 de fevereiro de 2018

O QUE A BÍBLIA TEM A DIZER ACERCA DO SUICÍDIO DE CRENTES?




I. INTRODUÇÃO:

O suicídio é o ato de tirar voluntariamente a própria vida. Trata-se de um termo que deriva de dois vocábulos latinos: sui (“de si mesmo”) e caedĕre (“matar”), ou seja, matar-se a si mesmo. Outra definição possível é "auto-assassínio", a qual é aceita por muitas religiões.

O suicídio é um evento trágico com fortes repercussões emocionais para seus sobreviventes e para as famílias de suas vítimas. Mais de 44 mil pessoas nos EUA se mataram em 2015, a maioria entre pessoas dos 45 e 54 anos; homens estão especialmente em risco, com taxa de suicídio aproximadamente quatro vezes superior à das mulheres, segundo o veículo Psychology Today. No Brasil, entre 2011 e 2015, houve 55.649 casos; o problema igualmente afeta mais os homens (79% dos casos). Conforme a Revista Galileu,  "o meio mais utilizado é o enforcamento: 66,1% entre os homens e 47% as entre mulheres, seguidos por intoxicação exógena e armas de fogo, consecutivamente. Já em relação às tentativas de suicídio, as mulheres são maioria (69%) e 31,1% tenta mais de uma vez. Entre 2011 e 2016 ocorreram 48.204 tentativas e o principal meio é envenenamento ou intoxicação (58%)" (fonte: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2017/09/numero-de-suicidios-aumentou-12-no-brasil-mostra-ministerio-da-saude.html).

O suicídio é um fenômeno que ocorre em todas as regiões do mundo. Estima-se que, anualmente,
mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio e, a cada adulto que se suicida, pelo menos outros 20
atentam contra a própria vida. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio
representa 1,4% de todas as mortes em todo o mundo, tornando-se, em 2012, a 15a. causa de
mortalidade na população geral; entre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte (fonte: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-atencao-a-saude.pdf)

Por que uma pessoa busca acabar com sua própria vida? As razões são variadas e complexas, envolvendo frustrações, crises emocionais intensas (como fim de relacionamentos), problemas financeiros, problemas sociais, desgraças pessoais, sentimentos de impotência e de temor diante de fatos aparentemente insolúveis e/ou de grande repercussão, alcoolismo, drogas, etc. Em muitos casos, o suicídio também está ligado a sentimentos de desesperança e inutilidade. Há patologias da alma que tornam o indivíduo portador suscetível ao suicídio, como depressão severa, transtorno bipolar, esquizofrenia, personalidade Boderline (caracterizada por emoções instáveis, padrões de pensamento perturbados, comportamento impulsivo e relações intensas mas instáveis com outras pessoas), anorexia nervosa, dentre outros.

"Eu deveria me matar?" é a pergunta que um sem número de pessoas já se deparou ou se depara. Para Albert Camus (1913–1960), o suicídio é o único problema filosófico realmente sério, conforme ele relata em sua obra "O Mito de Sísifo". Camus vê essa questão de suicídio como uma resposta natural a uma premissa subjacente, a saber, que a vida é absurda de várias maneiras. Sua filosofia do absurdo nos deixa com uma imagem impressionante do destino humano: Sísifo empurrando sem parar sua rocha até a montanha, apenas para vê-la voltar para baixo cada vez que ele ganha o topo (daí vem a expressão "trabalho de Sísifo", empregada para denotar qualquer tarefa que envolva esforços longos, repetitivos e inevitavelmente fadados ao fracasso). 

Ainda refletindo sobre o tema, do ponto de vista da sociologia, é possível identificar pelo menos três abordagens explicativas para o suicídio: a altruísta, o egoísta e o anômico.  Estas abordagens foram inicialmente desenvolvidas pelo sociólogo francês Emile Durkheim. O suicídio anômico é bem representado em situações de anomia social, ou ausência de regras que mantenham a coesão social, enquanto o egoísta acontece quando as pessoas se sentem totalmente separadas da sociedade, com o rompimento dos laços junto a grupos sociais, tais como famílias, grupos escolares, grupos esportivos e/ou grupos religiosos (por exemplo, o suicídio de jovens por conta do jogo Baleia Azul). Já o suicídio altruísta (ou filantrópico) dar-se-ia em razão de profundos laços com a sociedade, como no caso dos Kamikazes japoneses. 

Infelizmente, o suicídio tem cada vez mais se tornado comum entre cristãos. O ano de 2017 foi o ano em que mais se viu pastores e obreiros se suicidando. Um total de 4 servos de Deus tiraram, numa atitude extremada, a própria vida (fonte: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2018/01/socorro-sou-pastor-e-preciso-de-ajuda.html). A questão a ser abordada aqui, portanto, é se há algum ensino na Bíblia acerca do suicídio. A Bíblia aprova ou dessaprova o suicídio? O que acontece, espiritualmente falando, em termos da eternidade, com aquele que se suicida? Há salvação espiritual e eterna para um suicida? 

II. O SUICÍDIO NA BÍBLIA:

Antes de mais nada, devemos ressaltar que o termo "suicídio" aparece na Bíblia Sagrada em duas únicas passagens, em sua forma verbal: A primeira, em João 8:22 ("Então, diziam os judeus: Terá ele, acaso, a intenção de suicidar-se? Porque diz: Para onde eu vou vós não podeis ir."). A segunda em Atos 16:27 ("O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas as portas do cárcere, puxando da espada, ia suicidar-se, supondo que os presos tivessem fugido.") O termo vem do grego "anaireo heauton" e "apokteino heauton", "matar a si mesmo".  No entanto, há exemplos de pessoas que cometeram suicídio, tanto no Antigo Testamento, quanto no Novo Testamento. Judas Iscariotes é um exemplo: tirou a própria vida, enforcando-se e precipitando-se de forma a ter suas entranhas derramadas após ver o grande erro que havia feito ao trair Jesus por 30 moedas de prata (Mt 27.5; At 1.18).  No Antigo Testamento, o primeiro caso que surge é o de Sansão. Outros casos que se destacam são o de Saul e de Aitofel.  

O caso de Sansão é talvez um dos mais complexos. Diz o texto bíblico que Sansão, com os ohos vazados e sem a unção de Deus que lhe fortalecia, por conta da artimanha da filistéia Dalila que o traíra e rapara sua cabeça (profanando assim o voto de nazireu que Sansão tinha com Deus desde recém-nascido), entregue aos seus inimigos que dele zombavam, pediu ao Senhor que lhe desse sua força uma última vez a fim de que pudesse se vingar dos filisteus (Jz 16.20-31). O Senhor ouviu seu pedido: Sansão se agarra às duas colunas do meio, em que se sustinha a casa, e fez força sobre elas, causando desabamento e matando-se a si mesmo e aos seus inimigos. O versículo 30 é marcante: "E disse: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela estava; e foram mais os que matou na sua morte do que os que matara na sua vida". Ou seja, Sansão sabia que seu ato causaria não apenas a morte dos filisteus, mas também a sua própria morte ("Morra eu e com os filisteus"). A dificuldade aqui é que Deus sabia, por Sua onisciência, da intenção de Sansão e concede-lhe o pedido. Para piorar as coisas, Sansão aparece na galeria dos heróis da fé, no cap. 11 de Hebreus, como um exemplo de fé a ser seguido.
  
 Os demais casos são bem simples. o rei Saul se suicidou porque não queria ser escarnecido pelos adversários, pois os considerava impuros: “Então, disse Saul ao seu escudeiro: Arranca a tua espada e atravessa-me com ela, para que, porventura, não venham estes incircuncisos, e me traspassem, e escarneçam de mim. Porém o seu escudeiro não o quis, porque temia muito; então, Saul tomou da espada e se lançou sobre ela.” (I Sm 31.4). Temos também o caso de Aitofel: “Vendo, pois, Aitofel que não fora seguido o seu conselho, albardou o jumento, dispôs-se e foi para casa e para a sua cidade; pôs em ordem os seus negócios e se enforcou; morreu e foi sepultado na sepultura do seu pai.” (II Sm 17.23).

É interessante observar que não houve, nos casos citados acima, qualquer juízo de valor por parte do autor sagrado. Isto é, não há um registro de "aprovação" ou de "reprovação" das atitudes desses homens, típicas em outros momentos, a não ser nos casos de Sansão e ainda assim de uma forma indireta, interpretativa, e de Judas (também indireta). Não há algo como "e fez o que era mau aos olhos do Senhor", ou "cometendo pecado", etc. ligado ao suicídio desses homens bíblicos.  INTERPRETATIVAMENTE, podemos dizer que há uma reprovação implícita no suicídio de Judas, de Saul e de Aitofel.

No caso de Sansão, a despeito dos demais, parece haver aprovação. Isso faz com que a avaliação moral do ato do suicídio esteja ligada à motivação do mesmo. No caso de Sansão em seu suicídio altruísta, conforme as categorias de Durkheim, a motivação principal era a continuidade do julgamento de Israel por este juiz bíblico, trazendo livramento momentâneo à nação. Assim lemos: "Sansão julgou a Israel, nos dias dos filisteus, vinte anos" (Jz 15.20). Deus, portanto, havia concedido a Sansão, mais uma vez, aquilo que o capacitava para exercer seu ministério como juiz de Israel: a unção do Espírito Santo, objetivando assim o bem da nação. Vale dizer que Sansão só ficou no estado em que ficou por conta de sua concupiscência sexual, do seu pecado. E sabemos que o pecado, uma vez consumado gera a morte (Tg 1.15). Ou seja, Sansão ao pecar havia já selado seu destino; Deus apenas permitiu-lhe um fim nobre, honrado e útil, fazendo o bem assim tanto ao Seu servo quanto à Israel.   

Já nos casos de Saul, Aitofel e Judas as motivações são totalmente erradas, consequência da vida pecaminosa que levaram. Pecaram, trazendo sobre si mesmos as consequências dos seus pecados, desceram ao fundo do poço. Suas razões, para o suicídio, foram egoístas, a exemplo de suas vidas e ministérios.Suicídios egoístas se enquandram bem em muitas causas listadas no 4o. parágrafo desse texto, excetuando-se, é claro, as causas patológicas. 



III. O DESTINO ETERNO DO SUICIDA:

Aplicar-se-ia o quinto mandamento aos suicidas - "não matarás"? Considerando a etimologia e o ato em si, sou da opinião que sim. Ou seja, quem comete suicídio egoísta (e anômico) está descumprindo a Lei de Deus e, assim, incorrendo em pecado. Isso não se aplica, contudo, ao suicídio altruísta, que visa a proteção e bem-estar de outras pessoas (como soldados em tempos de guerra, policiais e bombeiros, salva-vidas, pais em defesa de sua família, etc.), ou em virtude da perseverança na fé (como fizeram - e farão - os mártires cristãos, entregando a vida para serem mortos por causa de Cristo). No caso do suicídio altruísta, o princípio subjacente é aquele que o próprio Senhor Jesus aplica a si mesmo: "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos." (Jo 15.13)

Mas e quanto ao destino eterno de suicidas? O destino eterno de suicidas é um assunto em franco debate no meio cristão, especialmente o de confissão protestante. O que acontece espiritualmente com o crente quando este tira a sua própria vida?

Inicialmente, é bom que fique claro que a deliberação acerca do destino eterno de alguém que morre não é uma tarefa que Deus concedeu ao homem. Podemos, como cristãos, à luz da Bíblia, dizer qual é o caminho que conduz a salvação - Jesus, o caminho, a verdade e a vida -; contudo, não é possível dizer se alguém que morreu foi para o céu ou para o inferno (a despeito de ter ido para um desses dois lugares). Será que essa pessoa não teve um encontro com Jesus "à noite", como Nicodemos? Basta um único momento de fé posta em Jesus, como foi com o ladrão na cruz, para que a pessoa seja salva. Um momento de fé em Cristo fez com que o Senhor perdoasse uma vida inteira de pecados que esse ladrão cometera - "hoje mesmo estarás comigo no paraíso"!
 
Voltando à pergunta, novamente, no caso do suicídio altruísta, nos parece assunto resolvido. Um crente que tira a sua vida com objetivo de salvar a vida de outros não comete pecado e, portanto, não há o que se questionar NO QUE TANGE A ESSA QUESTÃO, única em análise.

Mas e quanto ao suicida egoísta? Esse comete pecado. A questão é: pode um derradeiro gesto de pecado selar para sempre o destino eterno de um crente?  Essa é uma questão importante, debatida há séculos por dois grupos principais de teólogos cristãos: os Arminianos, baseados nos postulados do holandês Jacobus Arminius (1560 - 1609), e os Calvinistas, baseados  nas teses do reformador João Calvino. Em suma, sintetiza-se na resposta à pergunta: o crente é capaz de perder a salvação? Para os Arminianos, sim; o crente que comete suicídio egoísta teria perdido sua salvação em Cristo e portanto estaria condenado à perdição eterna. "O homem não pode continuar na salvação, a menos que continue a querer ser salvo", diriam esses irmãos; "a vontade do homem é ‘livre’ para escolher, ou a Palavra de Deus, ou a palavra de Satanás. A salvação, portanto, depende da obra de sua fé."

Os arminianos concluem, muito logicamente, que o homem, sendo salvo por um ato de sua própria vontade livremente exercida, aceitando a Cristo por sua própria decisão, pode também perder-se depois de ter sido salvo, se resolver mudar de atitude para com Cristo, rejeitando-o! (Alguns arminianos acrescentariam que o homem pode perder, subseqüentemente, sua salvação, cometendo algum pecado, uma vez que a teologia arminiana é uma “teologia de obras” — pelo menos no sentido e na extensão em que o homem precisa exercer sua própria vontade para ser salvo.) Esta possibilidade de perder-se, depois de ter sido salvo, é chamada de “queda (ou perda) da graça”, pelos seguidores de Arminius. Ainda, se depois de ter sido salva, a pessoa pode perder-se, ela pode tornar-se livremente a Cristo outra vez e, arrependendo-se de seus pecados, “pode ser salva de novo”. Tudo depende de sua contínua volição positiva até à morte! (fonte: http://www.monergismo.com/textos/arminianismo/cincopontos_arminianismo.htm)


Já para os Calvinistas, não. Os calvinistas sustentam muito simplesmente que a salvação, desde que é obra realizada inteiramente pelo Senhor — e que o homem nada tem a fazer antes, absolutamente, “para ser salvo” —, é óbvio que o “permanecer salvo” é, também, obra de Deus, à parte de qualquer bem ou mal que o eleito possa praticar. Os eleitos ‘perseverarão’ pela simples razão de que Deus prometeu completar, em nós, a obra que ele começou.

IV. CONCLUSÃO:

Que o suicídio não deve ser praticado por um crente em Cristo é a conclusão que obtemos. Os exemplos bíblicos, de forma geral, revelam o suicídio como prática contrária à vontade de Deus. De efato, olhando-se para as causas que levam uma pessoa a cometer suicídio, todas são fruto direto ou indireto do pecado, original ou atual. A única causa aceitável foi demonstrada, devendo-se ressaltar que trata-se DE UM ÚLTIMO RECURSO.

O que acontece quando um homem natural, que jamais conheceu a Cristo, tira sua própria vida egoísticamente, do ponto de vista do destino eterno? Sem Cristo, trata-se apenas de mais um ato pecaminoso. Assim, tal pessoa sela para sempre o seu destino, condenada a viver eternamente separada de Deus. O suicídio aqui só é determinante para a imutabilidade de seu estado relativamente à Deus; sua condenação deve-se ao fato de passar a eternidade sem o Senhor Jesus. Mas e quanto ao crente suicida que tira a própria vida egoísticamente? Nesse caso, trata-se de um assunto para Deus. Não vemos base bíblica para afirmar qualquer coisa nesse sentido, apenas base teológica; nesse caso, depende da soteriologia (doutrina da salvação) adotada, se Arminiana ou Calvinista. Consideramos, no entanto, o assunto em questão MUITO SÉRIO, afinal, trata-se do destino eterno.

Portanto, querido(a) leitor(a): NÃO COMETA SUICÍDIO!! Não importa o que esteja acontecendo com sua vida, JESUS É SEMPRE A RESPOSTA! A vida está arruinada? Olhe para Israel: a nação foi destruída pelos Assírios e Babilônicos, mas Deus a reconstruiu novamente! Ele pode reconstruir sua vida, do zero, do caos e da ruína, se assim for preciso! NADA, EM ABSOLUTO, É DIFÍCIL OU IMPOSSÍVEL PARA JESUS! ELE É O SENHOR SOBRE TUDO O QUE EXISTE! Entregue sua vida a Ele! Já entregou e o caos veio? Entregue de novo, de novo e de novo! Entregue todos os dias se precisar! Senhor, entra na minha casa; entra na minha vida! Entra nessa área! Não sobrou nada, nada ficou de pé! Mas, Senhor, te entrego ela mesmo assim! Caótica, arruinada! Casamento arruinado; emprego arruinado, cheio de dívidas; ministério arruinado; cheio de pecados e escândalos... não importa! JESUS É O SENHOR! Ele gosta de gente ferrada, destruída, doente, acabada; Ele veio para essa gente! Veio para você e para mim!

DISSE JESUS: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor." (Lc 4.18,19)

Graça e paz!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

JESUS DIANTE DE VOCÊ: O QUE VOCÊ FARÁ?

"Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal. E de muitos modos o interrogava; Jesus, porém, nada lhe respondia. Os principais sacerdotes e os escribas ali presentes o acusavam com grande veemência. Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir-se de um manto aparatoso, e o devolveu a Pilatos." (Lucas 23:8-11)

"Que farei então, de Jesus, chamado Cristo?" (Mateus 27:22)

Na era em que vivemos, há muita curiosidade sobre as questões espirituais e religiosas. Uma curiosidade ligada ao pensamento humano inquiridor, que tudo quer saber e entender a fim de poder exercer controle. O homem, no anseio incontrolável de estar sempre no controle, tanto da própria vida como de todas as coisas, aplica seus processos cognitivos em tudo o que vê e até no que não vê, nas coisas naturais e nas coisas espirituais (ou sobrenaturais). Isso não é algo novo: os filósofos gregos já sondavam o Universo buscando a compreensão de seus fenômenos; uma busca insaciável que culminará na metafísica aristotélica, focada nas "questões últimas" da filosofia, tais como: há um sentido último para a existência do mundo? A organização do mundo é necessariamente essa com que deparamos, ou seriam possíveis outros mundos? Existe um Deus? Se existe, como podemos conhecê-lo? Existe algo como um "espírito"? Há uma diferença fundamental entre mente e matéria? Os seres humanos são dotados de almas imortais? São dotados de livre-arbítrio? Tudo está em permanente mudança, ou há coisas e relações que, a despeito de todas as mudanças aparentes, permanecem sempre idênticas? Curiosidade, "curiositas", desejo de conhecer.

Conhecer a Deus é, portanto, um desejo humano. Foi colocado em seu coração pelo próprio Deus. No entanto, o conhecimento de Deus - o verdadeiro conhecimento - só pode ser obtido por meio da Revelação. Ou seja, é Deus quem se revela ao homem, quem diz ao homem quem Ele (Deus) é, como Ele é e a vontade de Deus para o próprio homem. A inquirição natural, cognitiva,  é insuficiente para alcançar a Verdade sobre Deus, posto que o homem está afastado de Deus por conta do domínio do pecado em sua vida. No muito, a inquirição natural pode levar o homem a concluir, pela observação do Universo criado por Deus, que há um Deus. Conceber o Universo sem Deus, fruto do acaso (do caos), é o produto natural de alguém que não teve contato com a Revelação e que, portanto, está a "tatear em suas próprias trevas".  Igualmente, são frutos das mesmas trevas interiores as conclusões que levam a inexistência de Deus ou a multiplicidade de deuses.

Assim, a Revelação de Deus, feita pelo próprio Deus, nos ensina que o Universo e a Terra foram criados por Deus (Gênesis 1:1; Jó 38; Isaías 42:5) e por Ele são mantidos (Neemias 9:6; Colossenses 1:17; Hebresu 1:3). Deus criou o homem (Gênesis 1:27). Esse homem, criado por Deus, viveu em amizade com Deus até escolher, ele mesmo, seguir seu próprio caminho independente de Deus - e isso marcou a entrada do pecado na raça humana (Gênesis 3:6-24; Romanos 3:9-20) - todos pecaram a semelhança do primeiro homem (Romanos 3:23), se distanciando cada vez mais de Deus, vivendo como se Deus não existisse. Deus, que é Santo e Justo, poderia ter julgado o homem à pena de eterna separação de Deus - esse era e é o estado que todo homem se encontra - mas por Sua Misericórdia e Bondade nos envia Seu Filho, eterno Deus, que se fez homem a fim de salvar o homem da Justa retribuição que seus crimes mereciam e merecem. Jesus, o filho de Deus, sofre toda a humilhação, cuja morte na cruz, pena capital imposta por Deus ao homem pecador, é seu ato final. Jesus suporta dor extrema, horrível, excruciante pelos pecados dos homens. Sua morte inclui a perda do consciente regojizo de Deus, a experimentação da ira de Deus e tristeza, medo e profundo pavor. Experimentou o abandono, a negação e a traição por seus discípulos mais íntimos, acusações falsas e injustiça, zombaria, açoitamento e crucificação, o abandono pelo Seu Pai, e a plpena consciência do juízo de Deus sobre os pecados dos homens. A humilhação de Cristo se completou, então, quando sua alma expirou com tormento e dor física excruciantes, sendo sepultado e permanecendo morto por três dias. Leva assim, sobre Ele, os pecados e a Justiça divina pelos pecados dos homens. Jesus ressuscita ao terceiro dia dentre os mortos, é assunto aos Céus e hoje está a destra de Deus intercedendo por todos aqueles que entregam Suas vidas a Ele, que reconhecem-se pecadores e que recebem a Cristo como Senhor e Salvador pessoal. 

Aqui, no texto bíblico, vemos um dos momentos da humilhação do Senhor Jesus. Herodes, por sua vez, queria ver Jesus porque ouviu falar sobre os sinais que o Mestre fazia. Herodes tinha somente curiosidade humana acerca do Mestre. Seu desejo não era sincero: nunca fora anteriormente, nem agora o era agora. Herodes esperava ver o sobrenatural, mas viu apenas o lado humano de Jesus. A verdade é que quem procura Jesus pela curiosidade humana acabará se decepcionando, pois verá apenas a humanidade do Mestre. Por que? Nosso Senhor não veio a este mundo para ser um artista, para satisfazer a curiosidade dos homens pecadores. Ele veio redimir a humanidade; Seus sinais estavam ligados ao Seu ministério, ao ato de anunciar o Evangelho e o Reino de Deus. O mendigo mais pobre – Bartimeu – que pediu um milagre para o alívio de sua necessidade, nunca foi negado; Mas este príncipe orgulhoso, que pediu um milagre apenas para satisfazer sua curiosidade, é recusado.

Infelizmente, muitos procuram Jesus mas acabam se escandalizando nEle e o desprezando, porque procuram-No apenas pela curiosidade. Muitos vão às Igrejas esperando ver sinais, ver algo de sobrenatural acontecer, mas encontram apenas pessoas comuns em atividades comuns aos olhos humanos (cantando, orando, chorando, rindo, conversando, etc). Quem procura Jesus somente como um artista, se decepcionará com Ele. Quem lê a Bíblia, vem a Igreja e participa de um culto com o coração insincero nada verá de divino ou especial.

Jesus espera que Sua Obra, registrada na Bíblia, gere fé ao nosso coração e por meio dessa fé nos cheguemos a Ele. Nenhum desejo insincero de contato com Jesus será atendido por Ele! Os olhos e ouvidos espirituais da humanidade estão cerrados: só estão abertos para entender coisas desse mundo, para entender os prazeres e o pecado. Eles olham para Jesus e não enxergam, ouvem as Palavras de Jesus mas não escutam (Mt 13.14,15).

Curiosidade pecaminosa gera apenas zombaria. Herodes não viu o que procurava: Jesus não respondeu suas perguntas, nem fez os sinais que Herodes tanto ansiava. Herodes então põe-se a zombar de Jesus, vestindo-o com um manto aparatoso (branco brilhante). O fato é que Herodes poderia ter ouvido Cristo centenas de vezes antes e visto os sinais que Ele fazia, se tivesse escolhido fazê-lo. Diante de Caifás, Jesus respondeu: “Eu tenho falado abertamente ao mundo; eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se congregam, e nada falei em oculto” (Jo 18.20). Mesmo hoje, Jesus tem falado abertamente ao mundo. Falado abertamente a partir da Sua vida, da Sua Obra redentora, da Sua cruz e da Sua ressurreição. Falado abertamente a partir dos sinais de Sua vinda. Hoje, como naqueles dias, os homens zombam de Jesus. Riem e debocham quando Cristo lhes é apresentado. A atitude deles é a mesma de Herodes. Rejeitam a Cristo e, com isso, Dele zombam!

No entanto, Deus fez de Jesus, a quem os homens crucificaram e zombaram, Senhor e Cristo. A verdade definitiva é que o mesmo Jesus que foi crucificado zombeteiramente e que  hoje é desprezado e zombado pelos homens voltará a Terra.  “Verão aquele a quem transpassaram” (Jo 19.37) é a promessa bíblica. “Todo olho o verá” (Ap 1.7). A questão portanto não é se você o verá ou quando isso acontecerá, mas com está sua vida. Está você preparado para vê-Lo, ou não? Você está preparado para esse encontro? Jesus ao voltar pedirá contas a você pela vida que você viveu. Pedirá contas por cada uma das oportunidades e bênçãos que Ele lhe deu. Pedirá contas por cada vez que você ouviu a Palavra e não tomou a atitude correta, por todas as vezes que você O reijeitou. E o que você responderá a Ele, naquele dia?

Jesus jamais responderá àquele que tripudia dele, que só quer satisfazer seus desejos. Esse tal jamais provará as bem-aventuranças de Cristo. Mas Ele está pronto a olhar para aquele que é humilde e contrito de espírito, que treme da Sua Palavra. Madalena, Bartimeu, Zaqueu... prostitutas, trapaceiros, leprosos, endemoniados, paralíticos, lunáticos, cegos... a todos Cristo ouviu, porque viu neles humildade e quebrantamento. Viu sinceridade. Viu fé. E o que Ele vê em você? O que Ele vê em seu coração? Será que Cristo vê em você um Herodes, cheio de soberba e incredulidade? Está o Filho de Deus em silêncio diante de Ti, diante de tua arrogância e prepotência, diante da frieza de tua vida repleta de pecados? Você diz: “Deus, revela-te a mim!”, como se você, mero mortal, pudesse manipular Deus e fazer com que Ele obedeça teus caprichos?

Somente os limpos de coração podem ver a Deus (Mt 5.8): somente os absolutamente honestos e sinceros de coração para com Deus é que irão vê-Lo com alegria eternal (Jo 16.20-22). Essa honestidade e sinceridade passam por você reconhecer quem é: um miserável pecador, incorrigível, pecador inveterado. Alguém quem até as melhores obras não passam de trapos de imundícia, de panos sujos e apodrecidos! Alguém incapaz de salvar a si mesmo. Alguém que precisa URGENTEMENTE de um Salvador, que o salve dos seus pecados e da justa consequência deles (a perdição eterna, eternamente afastado de Deus num local de extremo sofrimento) e que, então, veja em Cristo a solução para sua vida. Jesus levou sobre Si os seus, os meus e os nossos pecados; espera Ele, hoje, que nós humildemente e quebrantados cheguemos à Ele com fé, pedindo que Ele perdoe os nossos pecados e nos conceda a Sua vida. Veja o que o próprio Jesus disse: "Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus." (João 3:36)

No lugar do desprezo e da zombaria pelo Mestre, honre-O com tua fé e glorifique Seu Nome com o teu louvor! Não vista-O em seu coração com o manto do deboche e da incredulidade, mas coroe a Ele como Rei de tua vida! Aceite essa revelação de Deus em seu coração e viva segundo ela!

Pense nisso! Deus está te dando visão de águia!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

SOCORRO, SOU PASTOR E PRECISO DE AJUDA!

"Socorro, sou pastor e preciso de ajuda!" Esse é, talvez, o pedido mais difícil de ser feito por um ministro do Evangelho. Tudo, aliás, que envolve a vida e o ministério de um pastor chamado por Deus está longe, muito longe de ser simples e fácil. São sempre muitas variáveis a serem consideradas, onde qualquer decisão ou pedido tem o imenso potencial de gerar enormes problemas, que perdurarão por muito tempo. Mesmo depois de resolvidos, ainda ecoarão nos ouvidos desse servo de Deus, que sentirá todo o peso do seu reflexo.

A verdade, por mais dura e terrível que seja, é que um pastor é uma pessoa solitária. Aquele que passa anos a fio de sua vida ouvindo as angústias, os dramas, os anseios e até os pecados dos crentes não pode se dar ao luxo dele mesmo compartilhar com ninguém suas próprias mazelas. Caso o faça, ele e seu ministério cairão em descrédito perante a Igreja que pastoreia, além de abrir brechas para obreiros oportunistas usarem suas confissões como arma contra ele, sabotando o ministério do pastor. Eu já sofri isso na pele, quando pedi a um pastor conhecido, de outro ministério, que orasse para que Deus abençoasse a mim e minha esposa com um filho. Na primeira discordância que houve, esse irmão no auge de sua carnalidade jogou isso na minha cara!

Pastor que passa problemas é tido pela igreja como fracassado. Isso é fruto dessa maldita e infernal religião, que coloca o pastor como um super-homem, infalível, sempre forte, sempre poderoso, arrotando unção por onde passa. Maldita religião gospel, que mede o ministério de um pastor pelo número de membros, quantidade de congregações no ministério e grana que tem no bolso! Essa religião é coisa do diabo! Religião da performance! Assim, qualquer pastor sente-se pressionado - e muito pressionado - para fazer "a obra dar certo". Isso gera pastores psicóticos com números e quantidades, adoecendo o ministro. Estamos falando de pastores sérios, daí esse irmão ou essa irmã vai experimentar uma profunda crise espiritual, especialmente se for mestre na Palavra de Deus: "como pode eu conhecer tanto, como pode eu viver de forma ética e correta, temente a Deus e segundo a Palavra e a igreja ir se arrastando, enquanto o outro ali não tem nem 10% do que Deus me deu, é antiético, picareta e a igreja vai de vento em popa?!?" É exatamente o mesmo que Asafe expressou no Salmo 73. O Salmo 73 é o salmo do pastor em crise!

Um pastor depende, necessariamente, de outros para edificarem a Igreja e levarem adiante a Obra que Deus lhe confiou para fazer. Ninguém faz nada sozinho, isso é ilusão; ninguém "basta-se a si mesmo", "tem todos os dons e recursos". Paulo, em Efésios 4, vai colocar esse ministro junto com outros 4, com a função clara de "aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo" (Ef 4.12). Além desses, um pastor precisa de diáconos ao seu lado, que desembaracem esse ministro (tragam soluções e não problemas), precisa de lideranças de departamentos ativas e comprometidas com a obra de Deus, precisa de gente para atuar na estrutura administrativa (secretário, tesoureiro, etc.), precisa de outros pastores, e por aí vai. O problema é que com o empobrecimento espiritual da Igreja, um pastor frequentemente vê-se  literalmente sozinho, pois não encontra quem possa ajudá-lo. São poucos os trabalhadores da Seara! Gente compromissada, que quer realmente fazer a diferença... isso é raríssimo hoje em dia! Feliz e abençoado é que acha um Tíquico, um Onésimo (Cl 4.7,9). Daí, das duas opções, uma acontece: ou esse pastor vai concentrar tudo em si mesmo ou vai usar o material humano que tiver à sua disposição. E qualquer uma das opções é problema: Se ele faz tudo sozinho, vai ficar doente, sem tempo de cuidar de si mesmo, da doutrina, da família, da igreja - a tendência é ficar depressivo ou neurótico. Se ele usa gente à revelia, vai ter muita dor de cabeça com maus testemunhos, com desleixo, com gente fazendo a obra de Deus relaxadamente, com disse-me-disse, com omissões, com rebeldias e teimosias e por aí vai. No final, tudo vai acabar recaindo sobre o pastor.

Um pastor sofre nas mãos de "cobradores da fé" - gente que parece ter o prazer de viver cobrando o pastor por aquilo que acontece e, pior, que não acontece na Igreja. Se alguém saiu da Igreja... se o culto tá sem unção (maluquice gospel)... se as entradas caíram... se o pregação não agradou os carnais... se pregou durou mais do que acharam que devia... se a igreja do vizinho tá melhor... se os crentes estão "quebrando pau" entre si... se fulano adulterou... se beltrano fornicou com a namorada... se ciclano se desviou... se a frequência caiu... se o culto fala sobre dinheiro... se não fala sobre dinheiro... se ciclana se divorciou... se A foi disciplinado... se B não foi disciplinado... se não sorri... se não cumprimentou... é culpa de quem? Do pastor! Como - e com quem - abrir o coração numa situação dessas, quando o ministro é julgado tão cruelmente???

Na minha experiência de vida e ministério, por tudo que tenho visto e ouvido com pastores mais velhos e experientes do que eu, eu diria que um pastor frequentemente passa por angústias e sofrimentos dos mais variados e diversos. A Obra de Deus é pesada; não é fácil ser um ministro autêntico de Deus, uma referência para a Igreja,  num meio que prefere o genérico, o pseudo equivalente. Todo pastor tem que lidar não apenas com a congregação e suas mazelas e sutilezas: ele tem que lidar também com suas frustrações pessoais, com suas histórias familiares, com as pressões que falamos anteriormente, com suas próprias fraquezas, com suas enfermidades, com suas emoções. Em meio a isso tudo, precisa manter sua vida espiritual em dia, ouvindo de Deus para si e para aqueles que pastoreia. Precisa tomar decisões, por vezes dificílimas, quanto à sua própria vida, carreira, ministério e igreja, mesmo que ele saiba que muitas vezes a decisão será impopular. Alguém tem que decidir, alguém tem que dar a direção, alguém tem que assumir os ônus. Esse alguém é o pastor. Não é a igreja que dirige o pastor, é o pastor quem dirige e modera a Igreja. Por conta disso, sempre haverá "bicudinhos e bicudinhas" na igreja! 

Por conta disso, 2017 foi o ano em que mais se viu pastores e obreiros se suicidando. Um total de 4 servos de Deus tiraram, numa atitude extremada, a própria vida. Conforme o website "Gospel Mais", tratam-se dos irmãos em Cristo "pastora Lucimari Alves Barro, a Igreja do Evangelho Quadrangular em Criciúma (SC); pastor Júlio César Silva, ex-presidente da Assembleia de Deus Ministério Madureira em Araruama (RJ); pastor Ricardo Moisés, 28 anos, da Igreja Assembleia de Deus em Cornélio Procópio (PR), que se enforcou na casa pastoral nos fundos da igreja; e o presbítero João Luiz Tavares, da Igreja Assembleia de Deus em Iguaba Grande, na Região dos Lagos (RJ), também enforcado." (fonte: https://noticias.gospelmais.com.br/pastora-comete-suicidio-quarto-dezembro-94659.html. Acesso: 03/01/2018) Minhas orações são para que o Espírito Santo console os corações dos familiares e irmãos enlutados!

Esse "fenômeno", de pastores se suicidando, não é peculiaridade do Brasil.  Em 2013, Rev. Teddy Parker, 42, morreu de uma ferida de tiro auto-infligida no caminho de sua casa, enquanto sua igreja de 800 membros e sua família esperavam que ele se apresentasse para pregar no domingo de manhã. Parker foi pastor na Igreja Batista Bibb Mount Zion em Macon e um pai de dois filhos. Ele disse que observou recentemente: "Às vezes, não sinto que Deus está me ouvindo." (CLARAMENTE, UMA CRISE EMOCIONAL/ESPIRITUAL). Quando Parker não foi pregar, a família foi procurá-lo; sua esposa foi quem descobriu seu corpo (fonte: https://churchleaders.com/pastors/pastor-articles/171423-pastor-commits-suicide-while-congregation-waits-for-him-to-preach.html). Em setembro de 2017, a Christ the Rock Community Church  em Menasha, Wisconsin, anunciou que seu pastor fundador, Bill Lenz, tirou sua própria vida, um evento trágico resultante da batalha de um mês desse ministro com a depressão (fonte: https://www.charismamag.com/spirit/church-ministry/35009-popular-pastor-commits-suicide). Assim como esse, há muitos outros casos espalhados pelo mundo.
 
Não posso deixar de pensar os terríveis dramas que esses servos do Senhor estavam enfrentando, para chegarem a esse extremo. A pressão deveria estar enorme sobre eles! Pior: não acharam NINGUÉM, nenhum irmão ou irmã em Cristo, para desabafarem e buscarem acompanhamento e/ou aconselhamento. Ninguém viu, ninguém percebeu, ninguém notou... ninguém discerniu o espírito, a tristeza/angústia do coração desses queridos irmãos! NINGUÉM! Será que eles não deram sinais de cansaço? De fraqueza? De sofrimento? Mas ninguém parou para ver. A bem da verdade, nua e crua, é que são raríssimos aqueles que na igreja deixam as suas vidas, os seus problemas de lado, um pouco que seja, para olhar para aqueles que estão ao redor. Querem ser amados, entendidos, compreendidos, aceitos... querem que o pastor use a visão thundercat, além do alcance, e veja o que estão vivendo. Mas e a mão de retorno? Quem olha para o pastor? Com quem ele pode realmente falar, se abrir, contar seus dramas, sem ser julgado por isso? Sem ficar na mão de A ou de B, sob ameaça de ter seu problema exposto diante da congregação quando não concordarem com a direção pastoral?

É bom dizer que todo pastor sério, chamado por Deus, é extremamente duro consigo mesmo. Aqueles que acham que seu pastor é duro com a congregação, não quererão jamais estar na pele dele quando lida consigo mesmo! John Bunyan, por exemplo, era profundamente espiritual e às vezes tinha um espírito enlouquecido. No entanto, os tormentos inimagináveis de mente e alma de Bunyan são o que lhe dava a capacidade de falar com tal clareza criativa acerca da experiência humana do cristão. Vale a pena ler a autobiografia espiritual "Grace Abounding to the Chief of Sinners" (disponível em: https://www.amazon.com/Bunyan-Grace-Abounding-Chief-Sinners/dp/1484128206/?tag=thegospcoal-20), de autoria desse ministro. Se ele estivesse vivo hoje, não haveria uma igreja evangélica que o chamasse para ser seu pastor.

Um pastor que leva a sério seu chamado e ministério é uma pessoa que dedica muito do seu tempo com a Palavra de Deus, abrindo mão muitas vezes de horas de convivência familiar, de lazer e de sono.  Estudar, interpretar e pregar a Palavra de Deus é uma tarefa assustadora; exige tempo para oração, pesquisa e receptividade para a liderança do Espírito Santo. Preparar um sermão segue uma semana exigente de resolução e administração de conflitos - não exatamente atividades criativas. O horário de estudo e oração de um pastor varia de 30 a 60 por cento da semana de um pastor. Isso não é algo fácil (2 Timóteo 2:15, 1 Timóteo 4:13). Some-se a isso o cuidado com a congregação. Os pastores carregam o peso da vida de seus congregados. Os pastores sofrem dor pelo povo; eles perdem o sono, o tempo pessoal e a energia orando e aconselhando os crentes sob seu cuidado a qualquer hora do dia ou da noite. Precisa cuidar dos problemas pessoais e coletivos, e ainda suportar as críticas e murmurações dos insatisfeitos e chatos de plantão. Aconselhamento é outra fonte de constante estresse pastoral: muitos crentes que recebem ajuda de seu pastor, rejeitam a sabedoria e o conselho de seu pastor, não se arrependem de seus pecados ou culpam a igreja por seus problemas!

Não posso me furtar a citar que há pastores, inclusive, que enfrentam terríveis dilemas pessoais e espirituais com o pecado pessoal. Os pastores enfrentam tentações como qualquer outro cristão; a dificuldade adicional para os ministros é a pressão de ser um exemplo espiritual e sem parceiros de responsabilidade confiáveis. Em uma pesquisa feita pela LifeWay, 50% dos pastores relataram usar pornografia como um analgésico e 38% admitiram ter relações sexuais inapropriadas com pessoas de sua congregação. (1 Timóteo 1:18-19)

Cito aqui como emblemático o caso do pastor John Gibson, professor do "New Orleans Baptist Theological Seminary". Ele era casado com dois filhos. Acabou cometendo suicídio, após seu nome ser divulgado numa lista de assinantes do site de encontros Ashley Madison. "Ele falou sobre a depressão. Ele falou sobre ter seu nome lá, e ele disse que estava muito triste", disse sua filha Christi. "O que sabemos sobre ele é que ele serviu sua vida para outras pessoas, e ele ofereceu graça, misericórdia e perdão a todos, mas de alguma forma ele não pode estender isso a si mesmo". O Presidente do Seminário, Chuck Kelley, disse em seu site sobre o pastor que "ele foi particularmente conhecido por seus atos de bondade à família do seminário. John foi o bom vizinho por excelência [...] John era amado pelos alunos por causa de seu amor para o ministério e para com eles". (http://hollywoodlife.com/2015/09/09/ashley-madison-suicide-married-baptist-pastor-john-gibson/)  Gibson foi descrito por aqueles que o conheciam como uma pessoa calorosa, amorosa que levou os ideais cristãos de altruísmo e caridade a sério. E a lista de irmãos apanhados em flagrante adultério parecer ser bem extensa: "De acordo com a publicação, o diretor do Centro de Estudos Estatísticos LifeWay Research, Ed Stetzer, estima que cerca de 400 pastores, presbíteros, diáconos e líderes de diversos ministérios eclesiásticos, deveram renunciar o seu cargo nas próximas semanas, após seus nomes aparecerem na lista de usuários da Ashley Madison." (http://padom.com.br/lideres-evangelicos-aparecem-na-lista-de-site-de-adulterio-ashley-madison/)  

Diante dessa tão triste notícia do suicídio do pastor John, não posso deixar de pensar no sofrimento e desespero que ele deve ter experimentado. O peso da culpa que se formou sobre sua vida. A enxurrada de pensamentos que invadiram sua mente: "Agora acabou John! Você foi pego em seu pecado! Não há mais chance para você! Ninguém perdoará você, você jamais será aceito novamente! Você desgraçou sua família, sua igreja; você traiu ao Senhor e a todos aqueles que confiaram em você! É o seu fim!" Ele deve ter se lembrado de como a igreja lida com essa classe de pecado - com paus e pedras; assim, escolheu o caminho da morte para não ter que encarar àqueles que um dia chamaram ele de irmão, de amigo, de pastor. E assim tirou a própria vida!
O pastor John viveu durante um tempo uma vida dupla. Foi seduzido por sua própria concupiscência, pelo pecado que assedia, e acabou experimentando o prazer secreto do adultério. Ele pecou, sim é verdade, e acabou colhendo a terrível consequência do pecado. Porém, fico aqui pensando com meus botões o que poderia ter acontecido SE a igreja (de forma geral, ok? Não nenhuma especificamente) amasse verdadeiramente o pecador. Por certo, o pastor seria disciplinado - porque disciplina é bíblico e correto, talvez até fosse suspenso por um tempo do ministério - mas seria ACEITO como irmão, como sempre foi antes do fato. E estaria vivo. (fonte: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2015/09/sexo-e-castigo-o-que-e-amar-o-pecador.html) A questão é: poderia o pastor John Gibson ter aberto sua vida para alguém? Teria ele encontrado uma alma, uma sequer, que o ouvisse e o tratasse com graça e pela graça?

Diante de tudo isso, muitos são os pastores que abandonam seu ministério. Aqueles que não abandonam, com toda certeza já pensaram seriamente em fazê-lo. Como suportar? Problemas de todos os lados - a imensa maioria criada por carnalidade de crentes (brigas, dissensões, facções, disputas pessoais, falta de cooperação, falta de dedicação, falta de fidelidade e compromisso, etc.), problemas financeiros pessoais e congregacionais (muitos crentes simplesmente não contribuem financeiramente com a obra de Deus por mera discordância das decisões pastorais - dinheiro é controle), problemas emocionais, problemas familiares, problemas espirituais... Pastor é gente! Pastor sofre, chora, se entristece, se decepciona, se aborrece, sente raiva, sentem-se sozinhos, ficam desencorajados... E não tem amigos com quem compartilhar! Enquanto muitos crentes de sua Igreja atuam como se fossem amigos pessoais com seu pastor, a maioria não consegue separar o papel de pastor do indivíduo, confundindo as coisas. Isso cria uma barreira de intimidade, fazendo com que a maioria dos pastores experimente a solidão de ter poucos amigos que os conhecem pessoalmente além de seu papel como pastor. Muitos pastores não têm amigos íntimos, com quem possam abrir o coração sem serem julgados.

Muitos pastores e pastoras experimentam problemas em seu casamento. Um estudo recente concluiu que a metade dos casamentos dos pastores terminará em divórcio; 40% dos casamentos terão um caso durante os anos do ministério, e mais de 75% dos pastores dizem que seus casamentos estão em dificuldades. 80% das esposas dos pastores desejam que seus maridos escolham uma profissão diferente. Os casamentos pastorais lutam para ter sucesso, não pela falta de saber como, mas da enorme pressão adicionada à vida conjugal normal. Em meio à pressão e à falta de tempo e privacidade, os pastores devem modelar um casamento piedoso em suas congregações.

Concluo com o seguinte: Meu/minha amado(a) pastor(a), companheiro(a) de ministério, companheiro nas aflições e agruras pertinentes ao exercício do santo ministério pastoral, saiba que há alguém que pode lhe ouvir e lhe aconselhar, sem que isso represente a destruição daquilo que você tem amado e se dedicado ao longo dos anos - o ministério em sua vida. Eu, como seu irmão e companheiro, estou à sua disposição para conversar, para te ouvir e aconselhar, independente do que esteja acontecendo. Não sou Deus, sou homem como você é; mas como pastor tenho capacidade de empatia para com você em suas agruras e dramas. Você não precisa ficar sozinho. Não precisa se isolar. NÃO PRECISA TIRAR SUA PRÓPRIA VIDA! Vamos conversar! Vamos chorar! Vamos orar! Vamos buscar juntos, em Deus, a solução! Se você quiser conversar comigo, pessoalmente, podemos marcar inicialmente um papo na Igreja aos domingos. Se quiser, pode me escrever também, por e-mail. Se quiser, pode também postar aqui, no blog. O importante é que você, que está vivendo esse problemão, não fique tentando resolver sozinho. Saiba que apesar de qualquer coisa que você esteja vivendo, Deus o(a) ama e deseja restaurar sua vida e alegria! Ele é o Deus que está sempre pronto a nos socorrer e nos ajudar!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

BRASIL, ARREPENDE-TE!



Como será o futuro
Do nosso país?
Surge a pergunta no olhar
E na alma do povo
Cada vez mais cresce a fome
Nas ruas, nos morros
Cada vez menos dinheiro
Pra sobreviver

Onde andará a justiça
Outrora perdida?
Some a resposta na voz
E na vez de quem manda
Homens com tanto poder
E nenhum coração
Gente que compra e que vende
A moral da nação

Brasil olha pra cima
Existe uma chance
De ser novamente feliz
Brasil há uma esperança!
Volta teus olhos pra Deus,
Justo Juiz!

Como será o futuro
Do nosso país?


(João Alexandre - Pra Cima Brasil)


 A situação do Brasil, do ponto de vista econômico, político e social é muito grave. Desde Brasília, a capital do país e sede do poder nacional, até estados da federação como RJ, o que se vê é corrupção e violência, dos mais variados tipos e formas, e em todos os escalões da política e sociedade. Desde a política nacional, do Presidente da nação (já temos 3 ex-presidentes que foram impedidos de continuarem seus mandatos), ministros, senadores e deputados, passando pela política estadual, de governadores, prefeitos, deputados e vereadores, a sua imensa maioria encontra-se enlameada por todo tipo de acusação com altíssimas suspeitas de "culpa no cartório".  São delatados por empresários, dos quais segundo afirma-se receberam vantagens pecuniárias indevidas; são investigados e alguns eventualmente tem seus mandatos cassados, se estiverem exercendo o mesmo, e acabam presos (no RJ foram presos três ex-governadores, um presidente e um deputado ex-presidente da Alerj, quatro ex-secretários, dois deputados federais, um estadual e cinco conselheiros do TCE), tendo suas vidas, carreiras, nomes e até famílias manchadas com o estigma da corrupção, caindo em descrédito diante de seus eleitores, da sociedade e do mundo.

A pergunta que surge é se não haverá um fim para isso. Pessoas que ocuparam cargos considerados de alto escalão, eleitos pelo povo na esperança de que pudessem fazer algo em favor do bem comum, em favor de um país tão cheio de desigualdades! Milhares de famílias que, vivendo sem condições e garantias mínimas, depositaram suas esperanças em políticos, que prometeram "mundos e fundos" durante a campanha, mas que agora, depois da eleição, continuam exatamente como estavam. Nenhuma promessa cumprida, nenhuma mudança real e efetiva, nenhuma melhoria para a vida dessas pessoas; apenas a "melhoria" para os políticos que se elegeram, oportunistas e mentirosos! Todos, invariavelmente, que são eleitos, "botam o boi na sombra": gozam de altíssimos salários (aumentados por eles mesmos) além de benefícios únicos dos mais variados (verbas de gabinete, indenizações, viagens aéreas caríssimas, aposentadorias especiais, etc.). São caríssimos para o país (cálculos da ONG Portas Abertas apresentam o custo do poder legislativo de R$ 1,16 milhão por hora aos cidadãos brasileiros, em todos os 365 dias do ano) (ref.: http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2017/07/poder-legislativo-custa-r-116-milhao-por-hora-diz-ong.html. Acesso 23/11/2017). E o retorno desse custo, para a sociedade, é irrisório ou em muitos casos inexistente. Basta ver como eles vem tratando a educação pública, a segurança, a saúde, etc. ao longo dos anos - todos temas 100% presentes nas promessas políticas eleitoreiras! E isso independentemente de ideologia - direita ou esquerda - ou de legenda partidária! Todos são exatamente iguais, farinhas do mesmo saco!

Um país onde professores ganham muito mal, trabalham em péssimas condições (sem material/treinamento adequado, contínuo) e ainda por cima são surrados dentro de salas de aulas de escolas públicas por "crianças inocentes", não pode ser um país cuja classe política promete "educação de primeiro mundo" desde o Brasil-Império! O produto disso é a formação de "analfabetos funcionais", que não sabem ler, escrever ou sequer fazer contas básicas, que acabarão mais dia menos dia necessitando da política para alcançarem alguma coisa na sociedade (irem para a faculdade, serem aprovados em concursos públicos, etc.)! Obviamente, o problema perpassa toda a cadeia e ensino, desde a educação básica até a superior - e pós-graduação! O resultado são "profissionais" mal-formados, sem condições mínimas de exercício profissional! O resultado são alunos de pós-graduação que deveriam retroceder no ensino até o nível básico, com dissertações e teses repletas de erros (de vernáculo, de conteúdo, de lógica, etc.) que sequer rendem uma única publicação em periódicos internacionais! Trabalhos que não passam de "livros de capa preta na biblioteca", como diz meu antigo professor de Operações Unitárias (Ph.D. em Eng. Química pela Univ. de Leeds, na Inglaterra), contados quantitativamente como critério de formação, não qualitativamente ("um livro de capa preta, dois livros de capa preta, três livros de capa preta... oh, veja como estamos formando mestres e doutores no país! A biblioteca está repleta de livros pretos!" e não "uma tese de ouro", "duas teses de prata", etc). A solução dada pela classe idiota (desculpe o termo) é privatizar a educação! 

A saúde, outro tema sempre constante nas promessas mirabolantes de candidatos políticos em época de eleição, é outro fiasco, vergonha nacional! Hospitais públicos que não tem a mínima condição de atendimento: sem equipamentos, sem material (equipos), sem profissionais para as mais diversas áreas e especialidades (médicos, enfermeiros, etc). Hospitais que estão nas mãos de grupos de interesse, com desvios de verbas públicas, dentre outros pelos políticos eleitos com base na confiança do povo em suas promessas voltadas para a saúde! Minha mãe recentemente foi usuária de um hospital estadual, em Niterói/RJ, por conta de um acidente que sofreu por conta da má-conservação da via pública: acabou perdendo a visão de um olho por conta da ineficiência, no mínimo, dos médicos do hospital! Ficou quase 9 horas para ser transferida - e isso só com ambulância do plano de saúde, que por sinal é outra safadeza no Brasil - você paga caríssimo e na hora que precisa usar é cheio de "mais é que", via de regra. Meu irmão teve que subir o tom de voz num hospital do plano para minha mãe ter um atendimento, o qual ela pagou e paga religiosamente todo mês, porque simplesmente a pessoa encarregada fazia "corpo mole" para solicitar a autorização de um procedimento urgente! Safadeza da grossa e ninguém, nem a tal da ANS, faz coisa nenhuma! Coisa de ladrão, de mafioso! Voltando a saúde pública, centenas, milhares morrem nas filas de hospitais, sem atendimento! Unidades são fechadas! Pessoas que dão entrada com "dor de dente" saem mortas, com óbito assinado! E os políticos, onde estão?

Segurança é outra safadeza. Onde estão os investimentos em segurança? Vivemos uma insegurança generalizada. Você, no Brasil, sai de casa sem saber se volta. Mata-se por nada, por um celular! Bandidos andam armados dentro de "comunidades" - verdadeiros redutos de bandidagem e criminalidade - na maior "cara dura", e todo mundo sabe disso. Todo mundo vê. Mas ninguém faz nada! E não são armas de baixo calibre não, são fuzis e granadas, pistolas automáticas, de uso restrito! Onde eles conseguem estas armas? Ora, direto com a corrupção! Todo mundo sabe disso, mas ninguém faz nada! "A solução é o Exército nas ruas", dizem alguns! Bullshit! O Exército é instrumento politiqueiro! Não podem dar um tiro, não podem "eliminar o inimigo" (Exército não é polícia, que prende para ser julgado)! Não sou favorável a morte de ninguém, mas precisamos ponderar as coisas! Só que no Brasil se o Exército ou a polícia (parte que não é corrupta) der um tiro e matar um bandido desses, num confronto direto, os defensores dos direitos humanos caem em cima deles de pau! Só que na hora que um cidadão morre por conta de roubo de celular, o pessoal dos direitos humanos não fala nada, não faz o mesmo barulho, nem um pio... por quê será? Um país onde ninguém mais pode viver em segurança, onde não se pode circular livremente, onde há ruas e até bairros "proibidos"; onde você como cidadão tem medo até de blitz policial (porque não confia na polícia), não pode ser um país onde a classe política é séria, é interessada na sociedade! Policiais e cidadãos de bem "caem como moscas", enquanto políticos nababos nada fazem! Não há segurança! Centenas, talvez milhares de mulheres são estupradas todo dia! Nem nos ônibus elas tem paz: vem um doente, põe o "pinto para fora das calças" e ejacula no rosto da passageira! E para piorar, o agressor acabou sendo solto da prisão por juiz que em sua decisão disse "o crime de estupro tem como núcleo típico constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. Na espécie, entendo que não houve o constrangimento, tampouco violência ou grave ameaça, pois a vítima estava sentada em um banco de ônibus quando foi surpreendida pela ejaculação do indiciado" (grifo meu).   Continuando assim, Estados como o RJ em poucos anos se tornarão "Estados de bandidos", sem empresas, sem escolas, sem pessoas de bem... só bandidos, só marginais, só traficantes, ladrões e estupradores!

Porém, o pior de tudo, não o que me causa mais espécie, mais ojeriza não é essa nojenta classe política de corruptos. Eles são o que eles são: "Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos."  (Romanos 3:12-18) Não dá para esperar deles nada diferente disso. Não dá para esperar deles justiça, bondade e/ou misericórdia para com a sociedade.

Vale dizer que para o reformador Calvino as causas da pobreza, miséria e a opressão, bem como da perversão e da corrupção da sociedade humana, estavam enraizadas na natureza decaída do homem. Pela queda do homem foi demolida toda ordem social. O caos econômico é causado pela ganância dos homens, e pela incredulidade de que Deus haverá de nos suprir as necessidades básicas.

O que me causa mais indignação é o fato de que as vozes que deveriam se levantar, denunciando essa sujeirada, está calada. Aqueles que deveriam ser diferentes e assim fazer a diferença, onde estão? Onde está a bancada evangélica, diante dessa sem-vergonhice que grassa todas as esferas de poder político e governamental da sociedade? Onde estão esses, que se dizem "sal e luz", que tão prontamente erguem bandeiras a favor da família, mas que não agitam sequer uma simples flâmula diante da violência na sociedade, da ineficiência dos hospitais públicos, do caos na educação, que afetam todas as famílias brasileiras?! Diante da corrupção de seus pares!? Onde estão vocês, que não se levantam com firmeza e ousadia cristãs, contra o mal que grassa a sociedade!? Vocês, que se dizem vinculados à Igreja, de mais de 20 denominações diferentes, que se dizem pastores, guias de cegos, voz dos menos validos, lutadores contra a injustiça, onde vocês estão que não se pronunciam!? Vocês defendem, de verdade, os interesses cristãos nas casas legislativas onde exercem seus mandatos? Ou o interesse pessoal - e isso usando o nome de Deus para justificar a politicagem?

A mesma pergunta faço para a Igreja. Onde estão os pastores midiáticos, que falam tanto de fé, de ousadia, de declaração profética, movedores da ação sobrenatural de Deus - sim, em seus programas televisivos e em seus púlpitos dizem que Deus atende tudo o que pedem/determinam a Ele? Por quê não levantam a "voz profética" contra o mal social que grassa a nação!? Por quê não "demonstram sua fé sobrenatural" nesse sentido!? Já que Deus os atende sempre, por quê a mudança na sociedade não acontece? Na hora de chamar colegas pastores de idiotas eles sabem (veja: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2011/01/verdadeira-teologia-por-detras-da.html); por quê então, agora, não usam a mesma ênfase para condenar aqueles que oprimem os pobres!? Ficam angariando pessoas em "marchas para Jesus". Eu pergunto: essas marchas são para Jesus mesmo, ou são para vocês, para seu auto engrandecimento, fama e prestígio no meio evangélico? Que não denunciam veementemente o pecado social, o pecado na saúde, na política, na educação, na segurança, mas que depois, na época de eleição, vem apresentar o "irmão fulano, homem de Deus, que lutará pelos direitos dos cristãos na política"?       

Ora, os evangelistas do passado modelaram seu evangelho em termos de utilidade prática ao indivíduo e nação, como fez Charles Finney, Jonathan Edwards, John Wesley, George Whitefield, etc. Suas pregações geravam mudanças profundas na sociedade! O que fizeram, se não seguirem o exemplo de profetas como Miquéias, Jeremias, Malaquias e outros tantos que estavam presentes e contra a propagação da injustiça em sua época! Amós levantou-se contra os poderosos que vendiam escravos justos e condenavam os pobres (Am 2:6; 4:1; 5:11,12; 8:4,6), Isaías falou sobre os líderes que enriqueciam em detrimento dos pobres (Is 3:14; 5:8-10), e também denuncia, os líderes que não se importavam com viúvas e órfãos (Is 9:11-17).  O profeta Ezequiel denunciou opressão ao pobre, à prática de roubos, à posse de penhor, os empréstimos com usura e recebimento de juros (Ez 18:12,17). Falou também sobre reis que matam o mais fraco, desprezam o estrangeiro, a viúva, o pobre e trazem desonra aos pais (Ez 22:1-16). Miqueias profetizou contra os governantes que agiram de má fé contra o pobre, e foram comparados a animais selvagens que queriam a carne do pobre (Mq 3:1-4). Jeremias denunciou o rei tirano Jeoaquim, que usava de seu poder para forçar os pobres a construir ostentações para seu reinado. Além disso, não os pagava e os mantinha com péssimo cuidado (Jr 22:13-19). Malaquias, encontramos uma frente de proteção à mulher, trocada pelo marido por uma mais nova. Deus diz odiar o divórcio, porque os homens estavam se aproveitando da própria lei (Dt 24:1-4) que os possibilitava a isso. Estavam abandonando seus lares e sua companheira, tratando o casamento de forma banal (Ml 2:13-16).

Lembrem-se de que vocês são - ou deveriam ser - os profetas de Deus para a sociedade! Isaías levanta-se contra aqueles que fazem leis opressoras: “Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivãs que escrevem perversidades, para privar da justiça os pobres, e para arrebatar o direito dos aflitos do meu povo, despojando as viúvas e roubando os órfãos” (Isaías 10:1-2). A pergunta que ressoa para ambos os grupos aqui é a mesma: “Até quando defendereis os injustos e tomareis partido ao lado dos ímpios? Defendei a causa do fraco e do órfão; protegei os direitos do pobre e do oprimido. Livrai o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios” (Salmos 82:2-4). Digo a vocês: em breve o juízo de Deus irá alcançá-los! Se a impunidade é algo comum no mundo dos homens, no Reino de Deus ela simplesmente não existe! Ninguém fica impune diante do Juiz de toda a Terra! Jamais se esqueçam de que de acordo com o livro de Apocalipse, entre os que ficarão de fora da cidade santa os amam e praticam a mentira (Apocalipse 22:15).

Nós, como Igreja de Cristo, precisamos nos voltar para a essência da nossa fé. A essência do que é ser um cristão, tanto na Igreja como fora dela. O que implica ser sal e luz, na prática, para um mundo perdido e decadente, ou seja, salgar e iluminar. Temos os mais diversos recursos a nossa disposição; use-mos esses recursos em prol do Reino de Deus e da Glória do Senhor! Ora, sabemos que Nosso Senhor virá uma segunda vez nesse mundo; portanto, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos o presente século de forma sóbria, justa e piedosa, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo (Tt 2.12,13).

Deus deseja usar a nós, Sua Igreja, nesse tempo do fim, como luz para o Brasil, apontando a direção para Cristo o Senhor! Para isso, sacudamos o pó do mundo de sobre nós, irmãos, nos despojando do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e revistamo-nos do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade! Conclamemos o arrependimento - a começar pelo nosso próprio arrependimento, abandonemos o mau caminho do mundo e então choremos no altar de Deus e digamos a uma voz "poupa a teu povo, ó SENHOR, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que os gentios o dominem; porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?" Deus há de nos ouvir, quando nós nos voltarmos para Ele, de quem nos desviamos! Ele restaurará a Sua Igreja e a usará como agência profética que anuncia Jesus, vivo e real, não ideológico, ao mundo!

Pense nisso: Deus está nos dando visão de águia!

 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

O QUE É O SHEKINÁ? A BÍBLIA FALA SOBRE ISSO?

Logo de início, devemos estar cientes de que as pessoas adoram uma polêmica, especialmente sobre assuntos cujo conhecimento demande uma pesquisa mais extensa do que ler meia página de um livro. Isso demonstra, no mínimo, uma ausência de seriedade intelectual. São feitas afirmações sobre algo que esteja - ou não esteja - na Bíblia, que ela ensine (ou não)? Então recorramos a Bíblia! Recorramos à pesquisa e leitura, conferindo nas Escrituras como os crentes de Beréia faziam (At 17.11). Se necessário, recorramos a outras fontes, sempre comparando, analisando, refletindo e julgando toda informação e conhecimento à luz da Revelação. Afinal, a fé em Cristo é a fé que tem base nos registros históricos e proféticos compreendidos na coleção de Livros Inspirados por Deus chamado Bíblia Sagrada, o cânon, a medida de comparação daquilo que é espiritual.

Eu particularmente gosto muito de conferir todas as coisas, todos os ensinos ditos bíblicos ou derivados da Bíblia. Tenho por hábito fazer assim, não aceitando nada sem conferir. Ler, estudar, esmiuçar o assunto até me dar por satisfeito, até ter a confirmação de que aquilo que está sendo propalado como "bíblico" ou "não-bíblico" é de fato assim (ou não). Esse é o papel de todo Mestre na Palavra de Deus - filtrar todos os ensinos ditos "de Deus" - até os seus mesmos! - de forma a ensinar à Igreja apenas a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. A função do Mestre é, por assim dizer, de "destilar a doutrina" (Dt 32.2), removendo dela as impurezas humanas e não raro as impurezas demoníacas para só então ministrá-las ao Corpo de Cristo.

Assim, nessa argumentação, meu objetivo é abordar uma recente polêmica acerca do termo "shekiná", levantado no site http://www.previnasedamarca.com/arquivo.php?recebe=materia/judaismo/37/37.html e que vem sendo compartilhada em redes sociais. Segundo o website, o termo shekiná seria o nome de uma "demônia" (?!?), derivado da cabala judaica, sendo "a grande rainha do céu", "Lilith" e similitudes. Toda a linha de raciocínio utilizada para chegar a esta conclusão tem como base a própria cabala, textos rosacrucianos, textos maçônicos, etc.. Aqui, vamos preencher esta lacuna, ou seja, fazer uma análise à luz da Bíblia e de suas ferramentas (comentários, dicionários, etc).

Shekiná é comumente compreendido nos círculos evangélicos como sendo a "manifestação visível da glória de Deus", "a presença da glória de Deus"

1. O Termo Shekiná:

Este termo não aparece com essa grafia na Bíblia. Não existe na Bíblia a palavra "shekiná" (ou shechiná). O termo que aparece na Bíblia, do qual deriva-se esse termo, é "shachan" (aparece em Êx 40.35, traduzido para o português como "permanecer" - outros sinônimos são "residir ou ficar permanentemente - permanecer, continuar, morar, ter habitação, habitar, estabelecer, colocar (manter), descansar, definir"), do original שָׁכַ֥ן (sh-k-n). Muitas são as formas e transliterações desse termo.  Como "estabelecer, permanecer", o termo aparece ligado a pessoas (p.ex. Nm 24.2; Sl 102.29; I Cr 17.9; Jr 23.6, etc.), a animais (p.ex. Dt 33.20; Is 34.11; Ez 17.23, 31.13; Sl 55.7, etc), a coisas (p.ex. nuvem - Jó 3.5; Êx 24.16, 40.35; Nm 9.17; etc),  de homens (Sl 37.27; Is 65.9; Jó 18.15, 30.6; Jr 14.28; etc), dos mortos (p.ex. Is 26.19; Jó 4.19; etc), de Deus (p.ex.  I Rs 8.12; II Cr 6.1; Is 33.5, 57.15; Dt 33.16; etc). Como "fazer estabelecer, estabelecer", o termo aparece em  Dt 12.11; 14.23; 16.2,6,11; 26.2, etc.
Há um total de 128 ocorrências de sh-k-n (e suas variantes, como os termos shaChanta, shaChanti, shaChen, shacheNah, shacheNu, sheChon, shikKanti, shikKen, shochanT, shoChen, shocheNei, shocheNi, dentre muitos outros) na Bíblia.

Como visto, apesar de ser hebraica, a palavra "Shekinah" ocorre com maior freqüência nas versões aramaicas, uma vez que foram destinadas ao povo e foram realmente lidas para eles, e como precauções que deveriam ser tomadas contra possíveis mal-entendidos em relação à concepção de Deus. A palavra "habitação" no texto hebraico é, portanto, processada no Targumim pela frase "deixe o Shekinah descansar" (p.ex. Êx 25.8; 29.45,46; Nm 5.3; etc).

2. Análise de passagens selecionadas, usadas para embasar o shekiná como manifestação visível da glória de Deus vindo sobre os homens:

a) Êxodo 40:35 - "De maneira que Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porquanto a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo". (ACF) Note que o termo sh-k-n não é traduzido por glória (heb. kabowd). Em Êxodo 40:35 lemos que a "a nuvem permanecia (shakan) sobre a tenda do tabernáculo" e "a glória (kabowd) do Senhor enchia o tabernáculo". Se adotarmos uma interpretação causa-efeito, podemos afirmar que a glória enchia o tabernáculo como consequência da nuvem do Senhor permanecer sobre ele. Episódio semelhante é relatado em Números 16:42, mostrando a mesma sequência lógica. Por isso, é fácil ver o termo "shekiná" confundido com o termo "glória". Diria que trata-se de desconhecimento (em muitos casos) ou de relação metonímica (para aqueles que compreendem o significado do termo shekiná).   

b) II Crônicas 7:1,2 - "E acabando Salomão de orar, desceu o fogo do céu, e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do SENHOR encheu a casa. E os sacerdotes não podiam entrar na casa do Senhor, porque a glória do Senhor tinha enchido a casa do Senhor." (ACF) (ver também I Reis 8:11; II Cr 5.14). Nessas passagens sequer há menção do termo sh-k-n. Esse termo simplesmente não aparece nesses textos. O que aparece aqui é o termo glória (kabowd). A mesma análise pode ser obtida a partir dos textos de Êxodo 16:10, 24.17, 33.22, etc. 

c) Êxodo 24:15,16 - "E, subindo Moisés ao monte, a nuvem cobriu o monte. E a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; e ao sétimo dia chamou a Moisés do meio da nuvem." (ACF) Aqui, a glória (kabowd) do Senhor repousou (shakan) sobre o monte. Novamente, a glória associa-se com a nuvem como em Êx 40.35. Vale dizer que a nuvem podia ser vista, mas nada pode-se concluir a esse respeito da glória. John Gill, em seu comentário "Gill's Exposition of the Entire Bible", explica que houve nesse episódio a manifestação da "shekiná ou majestade de Deus" (com isso, dando o significado de majestade ao termo shekiná). 

3. De onde surgiu o termo Shekiná?

She-ki'-na (shekhinah, "o que habita", do verbo shakhen, ou shakhan, "morar", "residir") aparece originalmente apenas nos Targuns (cf. "International Standard Bible Encyclopedia", 1915).  Conforme explica o Pr. Matt Slick no site CARM (Christian Apologetics & Research Ministry), "a glória Shekinah de Deus se refere à presença pessoal de Deus. A palavra Shekinah não ocorre no Antigo ou no Novo Testamento nas línguas originais. No entanto, ele entrou na teologia cristã como um termo dos targuns e literatura rabínica depois que o Antigo Testamento foi concluído e antes do início do período do Novo Testamento. Foi usado para descrever a própria presença de Deus". Portanto, foi usado pelos rabinos em referência à presença do Senhor entre o seu povo (Êxodo 19: 16-18; 25: 8; 40: 34-38; 1 Reis 6:13). Os rabinos usaram o termo em referência à glória de Deus que enche o templo (2 Crônicas 7:1), a sua presença na nuvem (Êxodo 14:19; 1 Reis 8: 10-13), e a sua habitação no monte (Salmo 68:16-18; 74: 2; Isaías 8:18; Joel 3:17). Outra maneira de descrevê-lo seria usar o termo "glória de Deus", uma vez que a frase é usada para descrever sua presença (Salmo 19:1; Ezequiel 43:2; Lucas 2:9; Atos 7:55).

Uma lista de correspondências entre os Targuns Onkelos / Jonathan Ben Uziel e NKJV onde aparece o termo Shekiná pode ser vista em http://aramaicpeshittant.com/shekinah-targum-list/. Exemplo: 
  • Tagum - Êx 33.14: And He said, My Shekinah shall go, and I will give thee rest. (tradução: E disse, Minha Shekinah irá, e eu vou te dar descanso).
  • NKJV - Êx 33.14:  And He said, “My Presence will go with you, and I will give you rest.” (tradução: E disse, Minha Presença irá com você, e eu vou dar-lhe o descanso).
A obra intitulada "The Targum of Zephaniah: Manuscripts and Commentary" relata que a ideia do "Shekhinah" foi desenvolvida na época do Segundo Templo e é inerentemente a Presença Divina acompanhada dos atributos de misericórdia, santidade e luz. Ela é a Divina afirmação da proteção sobre Israel em Sua (isto é, de Deus) terra. Enquanto Deus "habitar" dentro do Templo e Israel, nenhum dano pode acontecer com eles a menos que se rebelem contra o Senhor. Na literatura rabínica, a Shekhina está associada a vários outros termos religiosos e teológicos (como o termo "Memra", "a Palavra", no sentido da palavra ou fala criativa ou diretiva de Deus que manifesta o Seu poder no mundo da matéria ou da mente; um termo usado especialmente no Targum como um substituto do "Senhor" quando uma expressão antropomórfica deve ser evitada). Conforme a Enciclopédia Britância, "a Shekhina desceu no tabernáculo e no Templo de Salomão, embora também seja dito que era uma das cinco coisas que faltavam no Segundo Templo. A glória de Deus que encheu o tabernáculo (Êxodo 40:34) foi pensada como um resplendor brilhante, e a Shekhina às vezes é concebida de forma semelhante". Para registro, as "5 coisas que faltavam no Segundo Templo" eram: (1) o fogo (que foi aceso do céu); (2) a arca; (3) o oráculo do sacerdote (urim e tumim); (4) o óleo da unção e (5) o Espírito Santo (o Espírito da profecia). 


Resumidamente, shekiná seria a junção da glória de Deus e de Sua presença. Quando o Senhor está presente, Sua glória é manifesta. Isso seria o que chamamos shekiná. Um termo teológico, portanto, que descreve a presença imanente no mundo do Deus transcendente. (Elwell, Walter A., and Philip Wesley Comfort. Tyndale Bible Dictionary. Tyndale Reference Library. Wheaton, IL: Tyndale House Publishers, 2001).  O termo foi usado pelos rabinos no lugar de "Deus", onde as expressões antropomórficas da Bíblia já não eram consideradas adequadas (cf. Jewish Encyclopedia, http://www.jewishencyclopedia.com/articles/13537-shekinah); em alguns casos, foi usado em substituição ao nome de Deus (cf. Carol A. Dray. Studies on Translation and Interpretation in the Targum to the Books of Kings). Justamente por ser um termo teológico, Shekiná não é encontrado na Bíblia, do mesmo modo que se dá com outros termos teológicos (como trindade, imanência, ser teantrópico, união hipostática, etc). Porém isso não significa que ele seja antibíblico.

Na literatura judaica, "o Espírito Santo" surge em conexões onde "a Presença" é empregada em outros lugares, sem qualquer aparente diferença de significado.  Assim, é dito no Tanhuma que até o templo ser destruído, a shekinah foi colocada no templo ("O Senhor está em seu templo sagrado", Salmo 11.4); após a destruição do templo, o shekinah ascendeu ao céu ("O Senhor, no céu é o seu trono", ibid.). Compare com Koheleth Rabbah na Eccl. 192,7: "Quando Jeremias viu que Jerusalém foi destruída, e o templo queimou, e Israel foi para o exílio, e o Espírito Santo retomou", etc. A interação é especialmente freqüente em referência às pessoas a quem o Espírito ou a Presença vem, ou sobre quem repousa. Um bom exemplo é o Tos. Sotah 13, 3 em comparação com Bab. Sotah 48b; Sanhedrin Ila. No primeiro, a voz do céu declara que uma das empresas é digna de ter o Espírito Santo sobre ele; o Talmud tem 'o shekinah'. (cf.
MOORE, George Foot. Intermediaries in Jewish Theology: Memra, Shekinah, Metatron. Harvard Theological Review, v. 15, n. 1, p. 41-85, 1922.)
4. Conclusões.
 
Conforme as referências consultadas, o termo Shekiná foi cunhado nos Targums (constando ainda no Midrash, no Mishnah e no Talmude)  para explicar as ações de Deus no Tempo e espaço através de um agente manifesto. Eles tinham por objetivo explicar as Escrituras para pessoas "leigas", de forma que pudessem compreendê-las. Assim, os Targuns tinham a mesma função dos nossos comentários bíblicos modernos. É bom relembrar que essa tarefa não era simples. Como explicar a transcendência e imanência de Deus à luz do monoteísmo bíblico? Como explicar que "Deus habita com o Seu povo" sendo Ele transcendente, de forma a não confundir imanência com animismo? Para isso foi cunhado o termo Shekiná, trazendo em si a idéia do antropomorfismo - por exemplo, no verso "Senhor Deus de Israel, não há Deus como tu, em cima nos céus nem em baixo na terra" (versão de Almeida) para "Senhor Deus de Israel, não há Deus como tu, cuja Shekiná está em cima nos céus e que governa a terra em baixo" (Targum). Vale dizer que a Bíblia está repleta de linguagens antropomórficas acerca de Deus. Portanto, os Targums usaram esse termo (e outros) para se referir à auto-revelação de Deus. Obviamente, o termo Shekiná traz em si fortes implicações cristológicas.

No Novo Testamento, Jesus Cristo é a morada da glória de Deus. Colossenses 2: 9 nos diz que "em Cristo toda a plenitude da Divindade vive na forma corporal", fazendo com que Jesus exclamasse a Filipe: "Quem viu-me viu o Pai" (João 14: 9). Em Cristo, vemos a manifestação visível de Deus mesmo na segunda pessoa da Trindade. Embora Sua glória também tenha sido velada, Jesus é, no entanto, a presença de Deus na Terra. Assim como a Presença divina morava em uma tenda relativamente plana chamada "tabernáculo" antes que o Templo em Jerusalém fosse construído, a Presença também habitava no homem relativamente simples que era Jesus. "Ele não tinha beleza ou majestade para nos atrair para ele, nada em sua aparência que devemos desejá-lo" (Isaías 53: 2). Mas quando chegarmos ao céu, veremos tanto o Filho como o Pai em toda a sua glória (1 João 3: 2). No Novo Testamento, Jesus é o Shekiná de Deus.
Qualquer correspondência entre o fato do termo Shekiná ser feminino com um suposto demônio do sexo feminino, como postulou o(a) autor(a) do artigo no site da internet se realmente existir deve-se tão somente ao esoterismo cabalístico ou a outras fontes igualmente esotéricas, fato este citado pelo(a) próprio(a) autor(a) desse texto. Isso facilmente pode ser constatado já na afirmação sobre "demônias". É preciso perguntar: espíritos tem sexo? O fato de um termo não estar na Bíblia faz dele um termo antibíblico só porque uma fonte esotérica faz uso do mesmo? 

Estudar, ler, conferir, pensar... ver e rever, até ter clareza suficiente sobre o assunto. Assim deve proceder todo aquele que estuda algum assunto, especialmente aqueles assuntos que são milenares, como o cristianismo, o judaísmo, etc.  Sempre pode haver mais de um uso para um determinado conceito, mais de uma aplicação, dependendo do autor.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

O DEUS QUE SE OCULTA PARA SE REVELAR E SE REVELA PARA SE OCULTAR


"De noite, em minha cama, busquei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei. Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei. Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu lhes perguntei: Vistes aquele a quem ama a minha alma? Apartando-me eu um pouco deles, logo achei aquele a quem ama a minha alma; agarrei-me a ele, e não o larguei, até que o introduzi em casa de minha mãe, na câmara daquela que me gerou." (Ct 3.1-4)

"Verdadeiramente tu és o Deus que te ocultas, o Deus de Israel, o Salvador." (Is 45.15)

Deus que se esconde ("'El mistatter"), o Deus absconditus. Uma das coisas mais desconcertantes que algumas vezes acontece com alguém é quando Deus esconde Seu rosto e se torna ausente. O teólogo Karl Barth descreveu como até mesmo um pastor ou estudante das Escrituras, mesmo possuindo todo tipo de conhecimento, pode "perde o cheiro" da presença de Deus fazendo com que toda a atividade de estudar Deus fique vazia e infrutífera. O mais precioso que temos ou podemos perder é a presença do próprio Deus.

Reconheço que esse conceito de um Deus que se esconde não é nem um pouco comum para a Igreja atual. Fala-se muito acerca do Deus que se revela, do Deus que se deu a conhecer ao mundo e que vem falando com os homens desde priscas eras. Temos, com isso, o entendimento de que Deus que está sempre disponível, que Ele é facilmente alcançável, como se Ele estivesse sempre à nossa disposição. Nós falamos e Ele prontamente se manifesta! Porém, esse conceito está muito longe do que a Bíblia ensina sobre o nosso Deus. O fato é que Deus não é superficial, facinho!

A verdade é que Deus pode esconder Sua face. Isso pode à primeira vista parecer meio contraditório, afinal há muitas passagens bíblicas que mostram Deus falando e interagindo com o homem. Davi disse que o Senhor está perto de todos os que o invocam (Sl 145.18). Então como podemos entender um Deus que se esconde? De um Deus que é acessível e inacessível ao mesmo tempo? Se Deus nos ama, porque então Ele se esconde de nós? Porque Ele muitas vezes se silencia diante dos nossos dramas existenciais? Porque às vezes Ele é tão difícil de ser encontrado por nós?

Os homens podem procurar Deus e não encontrá-Lo; podem clamar e Ele não responder. No entanto, Ele não está ausente, apenas em silêncio. Assim, a primeira coisa que precisamos entender sobre um Deus que se esconde é que o fato Dele esconder-se de nós não significa que Ele não nos ame ou esteja indiferente para nossa situação. Muitas vezes, diante dos problemas da vida, ficamos perplexos e sem respostas; daí buscamos essas respostas (e o livramento) em Deus mas parece que Ele não está nem aí para a nossa situação! Veja o caso do patriarca Jó: de uma vida de paz e prosperidade para uma vida de ruína. Ele ficou cheio de úlceras malignas desde a planta do pé até ao alto da cabeça e passou a se raspar com um caco (Jó 2:7,8). Sua dor era muito grande! (Jó 2:13) Jó então queixa-se do se estado, abrindo espaço para seus amigos o refutarem. Isso prossegue durante a grande maioria do livro - os amigos acusando Jó, Jó se defendendo e questionando Deus sem obter resposta -, até que na parte final Deus revela-se a Jó e não responde suas perguntas. Deus que estava até então escondido, ao falar com Jó não disse a ele os porquês daquilo tudo em sua vida! Somente ao final Deus vem e restaura a sorte de Jó, mostrando amor e bondade com o seu servo. O resultado para a vida de Jó é que ele passou a conhecer a Deus de uma forma mais profunda do que antes.

A experiência de Jó é emblemática: Deus, com seu silêncio, tencionava levar a Jó numa experiência mais profunda, mais real com Ele. Até então, na bonança, qual era o conhecimento de Deus que Jó possuía? Que tipo de relacionamento havia entre Jó e Deus? Era um relacionamento de causa-efeito! Jó ouvira falar que Deus recompensa o justo e castiga o injusto. Daí baseou a sua vida nisso. Jó fazia o bem, aquilo que segundo ele Deus esperava que fosse feito, então Deus recompensava Jó com bênçãos e prosperidade! Porém, quando Deus permitiu que Satanás tocasse na vida de Jó, Jó ficou confuso! Ele ficou a um passo de perder a sua fé: "Eu fiz tudo certo, tudo o que Deus gosta! Porque estou recebendo o mal em minha vida?!?"  Para Jó, o sofrimento era algo inadmissível em sua vida, porque o conhecimento que ele tinha de Deus excluía essa possibilidade! Jó achava que sabia tudo de Deus, e terminou reconhecendo que não sabia nada!

A verdade é que assim como Jó tem muitos hoje. Acham que sabem tudo que se há de saber sobre Deus! Eles dizem que se a pessoa for boazinha e fizer tudo o que se espera dela, então Deus obrigatoriamente tem que abençoar a vida dessa pessoa! Essas pessoas vivem constantemente numa profunda crise de fé, porque constatam, perplexas, que as coisas não funcionam assim! Deus pode permitir o mal mesmo sobre os bonzinhos e fiéis! Pode permitir o sofrimento mesmo na vida dos justos! E, para complicar ainda mais as coisas, a vida dos injustos e infiéis muitas vezes vai "de vento em popa", num "céu de brigadeiro". Deus não apenas permite o mal na vida dos justos, mas permite o bem na vida dos injustos! Esse é o paradoxo de Asafe, encontrado no Salmo73, onde os ímpios prosperam no mundo e aumentam em riquezas, enquanto o justo é afligido diariamente e castigado cada manhã (Sl 73.12,13). Somente em Deus Asafe alcançou a solução para seu paradoxo. Deus nos prova e a Sua prova é muito difícil!

Na prova que Deus deu a Jó, Jó saiu-se bem. Ele mostrou a Satanás que não era interesseiro, materialista, egoísta. Que não buscava a Deus só para ter bênçãos. Ele ficou na pior, ficou na pindaíba, ficou doente, mas não amaldiçoou Deus (o conselho de sua mulher). Jó até amaldiçoou o seu nascimento, mas a Deus? Jamais! Ele amava a Deus e vivia o relacionamento com Deus na base que até então que ele compreendia. Mas Deus é um Deus que se oculta e se revela! Se oculta para então revelar-se e se revela para então ocultar-se!

Deus está se ocultando da Igreja evangélica atual. Deus está em silêncio. Hoje há muitas denominações no Brasil e no mundo, mas pouca gente buscando a Deus de verdade. Pouca gente interessada verdadeiramente em Deus, interessada no relacionamento com Ele. O interesse quase total do homem em Deus está naquilo que Deus pode dar, não na Pessoa de Deus. Quando muito, estão interessadas em escapar do inferno, mas não na vida eterna bíblica: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (Jo 17.3) Vida eterna é conhecer o Pai e o Filho! É ter um relacionamento sólido com Deus; relacionamento de fé e fidelidade! E esse relacionamento não é edificado numa base superficial, carnal e interesseira! Para que Deus possa se relacionar conosco, Ele precisa tocar em nós no fundo da nossa alma, lá na divisão da alma com espírito, naquilo que é "crítico" para nós, que muitas vezes não conhecemos, mas que impede o aprofundar desse relacionamento! Daí, vem a segunda verdade: esse relacionamento com Deus, ainda que envolva as nossas emoções, não se baseia nelas. Emoções são boas no relacionamento com Deus - até no culto a Deus - mas o emocionalismo não.

Infelizmente, há uma ação maligna em curso que visa reduzir a nossa fé sobrenatural em sinais exteriores, em “experiência”, em “arrepio”. Muitos crentes vão para o culto não para buscarem Deus, mas para sentirem alguma emoção, para experimentarem alguma coisa de Deus, para terem “sensações”. O problema disso é que emoções não são um caminho confiável no relacionamento com Deus. Emoções podem ser produzidas pelo contato do homem com Deus? Sim! Mas também podem ser produzidas por outros meios: um filme, um toque, uma técnica... Isso acaba trazendo confusão e engano! Por isso, Deus não quer que nossa relação com Ele dependa de sensações. Buscar a Deus para ter uma sensação não é buscar a Deus, e sim buscar conforto emocional. Ao se esconder, Deus fortalece a nossa fé. Aprendemos que sentir coisas não quer dizer necessariamente “presença de Deus”. Somos livres do engano do inimigo e da manipulação humana, e ao mesmo tempo passamos a valorizar mais a presença de Deus quando Ele se manifesta verdadeiramente!

Valorizar Deus e o relacionamento. Dar valor. Dar importância. Honrar. Considerar importante. Considerar caro e precioso. Jesus contou uma vez a parábola do tesouro escondido num campo. Ele disse que o reino de Deus "é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo" (Mt 13.44). Considerando que o reino de Deus só é bom e desejável porque Deus é o soberano desse reino, então Deus podemos derivar que Deus deve ser semelhante a esse tesouro escondido, só que não por um homem, mas pelo próprio Deus! Deus se escondeu para que os homens pudessem achá-Lo e valorizar esse achado! Achar Deus é o verdadeiro achado!       

Se Deus se escondeu, então devemos procurá-Lo com todas as nossas forças! Essa é a nossa busca, a busca da nossa vida! Antes de qualquer coisa, antes de casamento, de bens materiais, de prosperidade! Deus disse a Israel por meio do profeta Jeremias: “E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.” (Jr 29.13) Note a condição para achar Deus: buscá-lo "de todo o coração"! Deus promete ser achado pelo Seu povo, quando o Seu povo buscá-Lo com integridade de propósito e sinceridade de vida; quando se aproximarem Dele com um coração verdadeiro, invocando-O  em verdade e procuram por Ele com ansiedade e desejo real de encontrá-Lo! Buscar ao Deus que se esconde é algo que vai além da salvação dos pecados. A bem da verdade, somos salvos do pecado para aplicarmos a nossa vida na busca ao Senhor e para servirmos só a Ele segundo Sua vontade para nossas vidas.

Quanto mais próximo do fim estamos, mais e mais Deus está chamando Seu povo para buscá-Lo de todo coração. Porque? Porque no tempo do fim o amor inevitavelmente irá esfriar e a fé inevitavelmente vai apagar (Lc 18.8; Mt 24.12). Muita gente vai perder a sua fé, vai esfriar no seu amor por Deus (e pelo próximo), pois a medida que o fim se aproxima, as pessoas tornar-se-ão mais e mais "amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela" (I Tm 3.1-5). Haverá cada vez mais uma pressão descomunal do inimigo, de Satanás, para fazer com que as pessoas se afastem de Deus, deixando de buscá-Lo em prol de cuidarem de suas próprias vidas: "comendo, bebendo, casando e dando-se em casamento" (Mt 24.37-39). Nosso Senhor acrescenta que somente serão salvos "aqueles que perseverarem até o fim" (Mt 24.13). Perseverar em quê mais, a não ser na busca ao Senhor? Nossa parte é responder a esse chamado do Senhor, como fez Davi: “Quando tu disseste: Buscai o meu rosto; o meu coração disse a ti: O teu rosto, SENHOR, buscarei.” (Sl 27.8) A face do Senhor deve ser buscada continuamente (Sl 105.4).

O que significa buscar ao Senhor de todo o coração?

1. Significa buscar ao Senhor com todas as faculdades do nosso ser. Um homem deve procurar Deus em Cristo Jesus com toda a sua natureza. Se o coração estiver dividido, a busca será em vão (Tg 1.8). Porque o nosso coração é, muitas vezes, dividido para com Deus, nós não o encontramos! Ele permanece no oculto!

2. Significa buscar ao Senhor com toda perseverança. Os crentes atuais não sabem e nem tocam em perseverança, pois começam as coisas e não terminam. Não tem força de vontade, não tem foco no alvo a ser alcançado. Perseverar é insistir, mesmo que a princípio ou que num dia ou época pareça não dar fruto. É buscar a Deus, continuar buscando e seguir nessa busca. Buscar sem cessar! Buscar por meio da oração, da meditação na Palavra!

3. Significa buscar ao Senhor com energia. Rompa com essa indiferença, com a passividade. Estamos ocupados com mil coisas, mas lentos sobre nossas almas! Deus não será encontrado por busca desprezível, descuidada e despreocupada. Sobre isso, ouçamos o que diz Moisés: "Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças." (Dt 6.4,5) Isso é mandamento de Deus! Isso é ordem, é cumpra-se! É "estou mandando que vocês façam assim!" (Mt 22.38-40). Ouve, Igreja, o Senhor Jesus nosso Deus é o único Senhor!

O que fazer quando encontrar o Senhor? Cantares nos dá uma pista: "agarrei-me a ele, e não o larguei, até que o introduzi em casa de minha mãe, na câmara daquela que me gerou" (Ct 3.4). A primeira verdade aqui é que quem emprega todo seu coração na busca pelo Senhor não vai larga-lo em hipótese alguma. Encontrar Jesus é a maior bênção da vida de alguém que o busca incessantemente e que O ama de todo o coração. Essa pessoa se agarra em Jesus e suplica-O insistentemente que jamais o deixe sozinho! Pode vir a cair? Sim, é claro! Porém essa pessoa rapidamente reconhecerá essa queda e voltar-se-á ao Senhor, o Amado de sua alma, arrependido da sua queda! Vai fazer isso porque para essa pessoa estar com o Senhor Jesus é o bem mais precioso de sua vida! Foi caro encontrá-Lo e ela não irá perdê-Lo custe o que custar! Tem que confessar publicamente para restaurar o relacionamento? É para agora! Tem que se humilhar? É já! Se é verdade que valorizamos muito pouco aquilo que é obtido muito barato, então o inverso também é verdadeiro!

A segunda verdade aqui é que quem encontra o Senhor leva-O até a sua casa. Jesus introduzido no lar é Jesus governando os mínimos detalhes da nossa vida. É submissão e obediência a Ele para tudo e em tudo, rompendo com o maligno costume da autossuficiência e independência. Se Ele é verdadeiramente Senhor, Ele tem todo o direito de determinar o meu curso de vida; por seu turno, eu tenho obrigação de obedecê-Lo. Ou isso é verdade, ou estou mentindo sobre minha fé e relacionamento com Cristo; nunca o aceitei de verdade em meu coração. Minha fé não passa de ilusão em minha vida. Agora, se Ele é meu Senhor eu vou obedecê-Lo custe o que custar e nas mínimas coisas que Ele me demandar. Para isso, Ele tem estar em tudo como Senhor - até e principalmente no lar! Participando da minha vida. Tendo comunhão comigo e eu com Ele. Sendo por mim honrado e respeitado.

Apesar de haver pouca gente buscando ao Senhor, do quadro de apostasia que estamos vivendo e de Deus estar oculto, isso não quer dizer que Deus nada está fazendo. Deus está oculto, não inerte. Deus está agindo de forma a cumprir Seu plano que foi estabelecido antes da fundação do mundo. Ele está permitindo um aumento das tensões sociais, políticas e econômicas no mundo inteiro. Deus está abalando todas as coisas. Deus vai destronar Mamom do coração dos crentes e levar muitas denominações a falência financeira a fim de reconquistar para Si o coração de Seu povo! Deus vai expor a mentira satânica da teologia da prosperidade! Vão é confiar nas riquezas! De nada aproveitam as riquezas no dia da ira (Pv 11.4), quem nelas confia cairá (Pv 11.28)! Do mesmo modo, hoje já não há mais nenhum lugar seguro na Terra, porque a segurança pública está sendo abalada por Deus, de forma que Seu povo volte a crer que Ele é a nossa segurança, o nosso Guarda que não Dorme nem Cochila (Sl 121.4-8)! Na política, Deus está abalando também, mostrando a podridão, a corrupção que há nos mais altos escalões de governo! Para a Igreja, o Senhor está dizendo "podre e inútil é a vara do poder político; Eu, o Senhor, Sou o poder do Meu povo"!

Escondido, mas agindo, Deus vai levando cada dia mais a Sua Igreja a buscá-Lo com toda intensidade, ansiedade e coração novamente! Se o povo de Deus precisa de angústia e aperto para voltar-se ao Seu Senhor, muito bem, assim será! Foi assim no passado com Israel e será assim com a Igreja. O povo de Deus é obstinado de coração; para quebrar isso, só com algo muito quente e muito forte! Foi preciso o cativeiro babilônico para Israel no passado reconhecer que o Senhor e será preciso que os exércitos do Anticristo se reunirão para destruir Israel, no vale do Armagedom para que Israel reconheça que Jesus é o Messias! A Igreja também precisa experimentar o seu quinhão de calor e força! E quando isso acontecer, Deus voltará a ser desejado e buscado por Seu povo, culminando na revelação do Deus até então escondido como o Anjo da Aliança (Ml 3.1), o qual se assentará (porque vai da trabalho, vai levar tempo) para purificar Sua Igreja, preparando-a para o fim! Vai doer no profundo da alma, vai ser terrível esse dia; mas será necessário a fim de espremer o carnegão de cada um dos Seus filhos!

O Deus de Israel às vezes é um Deus que se esconde, mas nunca um Deus que se ausenta. Às vezes no oculto, mas nunca à distância.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!